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Oh, you're just so lovely ...

por JQ, em 02.12.16

... believe me, I'm not

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por JQ, em 25.11.16

Ain't No Sunshine, um original de Bill Withers (em 1971), por Wovenhand (em 2003)

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"Local geographics"

por JQ, em 25.11.16

Gostava de contar uma história de “amor” do modo mais simples possível, para não soar a ficção. Trata-se de um relacionamento meio estranho que se foi estabelecendo, desde o seu nascimento, entre mim e uma gata. O «"amor"» pode carregar nos ombros um montão de aspas. Esta gata não. Era mesmo um felino do “sexo oposto”. A mais frágil de uma ninhada de quatro irmãos. Daí que só costumavam restar-lhe as últimas sobras da comida que eu ou a minha mãe distribuíamos, daí ter começado a separar a repartição de comida: primeiro para os três irmãos e, à parte, só para ela.

 

Bom, tenho quase a certeza que o estupor da gata reparou no meu tratamento preferencial de inspiração algo marxista ou cristã. Certo foi que nas minhas visitas bi ou tri-anuais à cidadezinha natal, mal punha os pés no quintal materno ela saltava sei eu lá donde e vinha miar ou aninhar-se aos meus pés. Nem sempre por comida, quase sempre por afecto, suspeito. Nunca tentei tocar-lhe, o que poderia afugentá-la, tanto para ela se sentir segura perto de mim, como para nunca confiar em humanos.

 

Gata-quintal-materno_Natal-2015_1.jpg

 

Tinha um miar muito discreto, extremamente sedutor, simultaneamente baixo e não demasiado agudo, tal como algumas intérpretes da “chanson française” dos anos 50 e 60. Incapaz de falar línguas humanas com animais, pois acho que não devemos humanizá-los, de quando em vez tentava imitar o seu tom e, então, ficávamos largos minutos num diálogo como que com papagaios. Aquela correspondência derretia-me, até por ser rara tal sintonia com humanos. Surpreendido várias vezes neste acto pela minha própria mãe, esta, apesar de pouco dada a ironias, chegava a perguntar: “Então, como é que vai a tua filha?”.

 

Para o cenário não ficar demasiado idílico, ocorreu um senão. Ao fim de dois anos, estando eu presente, o raio da gata já não deixava os irmãos aproximarem-se da comida. Rosnava e “esmurrava-os” para ser ela a primeira a comer, sim, porque ela, apesar de mais fágil, era “a minha favorita”. Chiça, tal como alguns mais ingénuos adeptos no início de ditaduras do proletariado, logo exterminados pelo cruel pragmatismo de Lenines e Estalines, pensei: “Céus, criei um monstro!”. Irrelevei. Qual deus pagão, segui adiante, pois a gata, apesar da sua natureza felina, continuava a demonstrar uma quase incondicional adoração por mim.

 

Gata-quintal-materno_Natal-2015_2.jpg

 

Entretanto, reproduziu-se no quintal vizinho, deserto de inquilinos humanos. Teve um puto loiro, muito assustadiço. Quando lá cheguei, na última Páscoa, estranhei ela preferir a minha companhia à do filho. Bastava abrir a porta do quintal para inalar umas fumaças e logo ela abandonava a cria, vindo ter comigo. E ficava sempre perto, como se tivesse esquecido de ser mãe. Pouco demorou até entender que o interesse pela comida raramente a movia. Oh, os truques que tentei para que ela alimentasse o miúdo convenientemente: dispus pedaços de comida em cima do muro, no próprio quintal, atirei-os para o quintal vizinho, sempre sob o receio de que a sua primeira gravidez não fosse bem-sucedida. Por vezes, ia ao quintal a meio da noite e ela lá estava, demasiado perto de mim, distante do filho, quiçá à minha espera.

 

Entrementes, no último par de anos, durante as minhas visitas bi-tri-anuais, fui reparando na progressiva diminuição do número de gatos nas redondezas: um perímetro de cerca de 200 x 100mts de quintais no centro da minha cidadezinha natal, onde, apesar de cercados por ruas movimentadas, sempre houve umas duas dúzias de gatos bastantes para animar a paisagem vegetal. Haverá quem prefira Xanax. Para obter o mesmo efeito, sempre me bastou observar, a uma distância confortável para os mais fragéis, quer no quintal materno ou na BBC Wild Life, alguma harmónica diversidade entre a vida vegetal, animal e humana.

 

Gata-quintal-materno_Natal-2015_3.jpg

 

Cheguei a suspeitar de alguma velha maluca, avessa a felinos – há sempre demasiadas em cidadezinhas tradicionais -, que andasse a envenenar a comida da gataria. Este Novembro descobri a verdade: há realmente uma velhota por perto, que, decerto com a melhor das intenções, foi construindo um abrigo para gatos. Coercivamente ou seduzindo-os com comida, apreendeu-os num recinto fechado. Faz-me alguma impressão o seu acto.

 

Remeto-me para as notícias recentes sobre a Segurança Social britânica ter retirado a custódia dos filhos a famílias com dificuldades em sê-lo. Cada caso é um caso, diz-se. Será que em todos, quando por razões sobretudo economicistas, é preferível separar os filhos de suas mães? Duvido. De volta aos gatos, as minhas razões? 1º, pela sua capacidade de improviso, suponho ser raro algum gato morrer de fome; 2º, os animais e os humanos mais selvagens não devem ser aprisionados, nem sequer humanizados a troco de comida; 3º, estes quintais, agora só habitados por vegetais, ficaram deveras aborrecidos. Já nem lá vou fumar tanto.

 

Acho que conheço os gatos. Se a comida e as grades forem bastantes, não consigo imaginar esta gata a morrer de saudades de mim. A mal dizer, não imagino nenhum ser vivo com saudades de mim. Suponho que a maior parte confunde a minha ausência quase budista em incomodar seja quem for com a mais cruel indiferença. Bom, se bem que a uma distância quase felina, ainda persisto atento ao que vai por perto e por longe. Peço desculpa por um post tão básico, mas precisei dizer isto. Sinto saudade de um 'amor' quase sem aspas.

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por JQ, em 24.11.16

Oeiras_Agosto-2012_1.jpg

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Oeiras_Agosto-2012_3.jpg

Oeiras, Agosto 2012 / Gaspard de la Nuit, de Maurice Ravel (salvo erro, em 1909), por Ivo Pogorelich (salvo erro, em 1983)

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por JQ, em 24.11.16

What is the late November doing

With the disturbance of the spring

And creatures of the summer heat,

And snowdrops writhing under feet

And hollyhocks that aim too high

Red into grey and tumble down

Late roses filled with early snow?

Thunder rolled by the rolling stars

Simulates triumphal cars

Deployed in constellated wars

Scorpion fights against the Sun

Until the Sun and Moon go down

Comets weep and Leonids fly

Hunt the heavens and the Plains

Whirled in a vortex that shall bring

The world to that destructive fire

Which burns before the ice-cap reigns.

 

 

T.S. Eliot (excerto de The Four Quartets)

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por JQ, em 22.11.16

La lugubre gondola II, de F. Lizt, em 1882, por Božo Paradžik & Maria Sofianska, em 2013

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Desisto, não vale a pena lutar

por JQ, em 22.11.16

As minhas tias ainda me tratam por "Zezé".

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por JQ, em 18.11.16

La lugubre gondola I, de F. Lizt, em 1882, por Božo Paradžik & Hansjacob Stämmler, em 2015

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por JQ, em 17.11.16

criancas-sirias.png

 

cartoon de Khalid Albaih (encontrado já não sei onde)

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Um par de poemas de Óscar Hahn (“Retrato de Familia Iraquí” + “Familia Americana”)

por JQ, em 17.11.16

El padre de turbante

y denso bigote negro

 con los brazos cruzados

A la izquierda su esposa

con abaya bordada

y velo blanco

Ahmad y Zainab

los dos hijos pequeños

tomados de la mano

Los abuelos sentados

en un sillón de mimbre

Todos ellos sonriendo

desde una foto a medio chamuscar

hallada entre los escombros

de su casa

después del bombardeo

 

*

 

Padres blancos y rubios

y de ojos azules

 

visitan Disneylandia con sus hijos

de rasgos árabes o asiáticos

 

Bombardean Hanoi

Bombardean Bagdad

Bombardean Kabul

 

Pero ellos son piadosos

y adoptan a los huérfanos

 

 

Óscar Hahn

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por JQ, em 12.11.16

direitos-humanos.png

Um jpeg, salvo erro, do "El Pais"

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Mero desabafo sobre o Presente

por JQ, em 12.11.16

A verdade - bom, a minha - é que por mais que eu tente driblar a desilusão com momentos de inócua esperança, mais de metade dos meus contemporâneos mostram-se desprovidos do meu menor interesse - isto para não os apelidar de idiotas, o que seria grosseiro, ou desinformados, o que seria um eufemismo. A verdade colectiva é que, para sobreviverem, qualquer indivíduo ou sociedade precisam de um mínimo de 50+1% de gente próxima digna de interesse. Bolas, sinto-me pessimista. Isto não está fácil. Até suspeito que a maior parte das pessoas, tal como eu, se sente rodeada de gente, hum, difícil. O meu mais autêntico desejo? A melhor das sortes para quem não tiver o mínimo jeito para fintar o Presente.

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2016 Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter