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+1 cliché...

por JQ, em 03.03.17

Outro lugar demasiado comum?

Um dos meus pais, bom, esse

O mais próximo do meu adn

Esse, talvez demasiado vivido

Talvez vítima barra beneficiário

Da farmácia actual, sobrevivente ainda

Talvez demasiado cego e surdo

Entre sombras, já pouco vislumbra

Talvez alguma justiça nisso persista

Nesse boémio pai à moda antiga

Púdica esposa? Mudez conveniente?

Desconforto entre lençóis? Adiante

Viva Salazar, seus discípulos e vítimas

À partida, desprovidos de qualquer sorte

Contentamento mútuo? Ei, bonita utopia, mas        

Enquanto pai, tio, mero desejo do que nunca fui

Bom, diz-me o pudor: “E se alguns de nós

Cambada de órfãos de pai e mãe, contemporâneas

Vítimas de tantos não exactamente presentes

- Oh, esse desconfortável limbo entre o passado e o futuro -

Idos fossemos além da nossa triste natureza?

Enquanto jovens, exigimos demasiado? Claro que sim

Sempre um pouco mais adiante, ainda pode ser?

Como eu, já sem esperar qualquer resposta

Após moribundos passados e futuros, alguns

Ingénuos, decerto. Sabem? Talvez não, mas

Vai resistindo alguma gente em redor, um ou outra

Gente que não esqueceu uma questão essencial:

- Se não soar excessivo o pedido, seria possível

Para a melhor parte de nós, sermos um pouco

Menos sós, um pouco mais próximos, sei lá eu?

Vila do Conde, Agosto 2013

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De pcmo a 03.03.2017 às 16:48

A mentalidade salazarista que se entranhou nas vítimas só produziu gente com medo do outro, que ajuntamentos de mais uma pessoa não são permitidos, não vá o diabo tecê-las. 
Ao contrário do orgulhosamente sós e do sozinho no meio da multidão é a proximidade aos outros, o não temer os outros, que permite maior alegria e maior vontade de viver, porque ainda somos mamíferos e, se mesmo independentes como os gatos, ganhamos a energia de viver ao não ter medo de nos encostar aos outros para uma sestinha, ao não nos sentirmos órfãos.
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De JQ a 03.03.2017 às 17:03

Se puderes, desculpa-me tamanho desabafo, mas, f...-se, gosto tanto de ti :)))
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De pcmo a 03.03.2017 às 22:36

Caramba! ... Nunca me senti tão gostada por ninguém como por ti :))) Porque para além de postares coisas que interrogam o sentido da vida e como tal me interessam ainda és capaz do maior dos afectos :)))) E tu és o exemplo do que mais vale na vida :)))
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De JQ a 17.03.2017 às 17:05

Bolas, deixaste-me absolutamente embaraçado (já nem sei o que raio vou publicar a seguir : )) Diz antes que me odeias (o post seguinte seria bem mais imediato : ))
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De pcmo a 20.03.2017 às 15:02

Não era minha intenção, acredita. Mas posso mentir e dizer que te odeio na frase feita «gosto tanto de ti!... odeio-te!» :))
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De Anónimo a 20.03.2017 às 17:50

Ah, bom, fico bem mais descansado... : )

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


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Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


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