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por JQ, em 05.02.14

Cinco semanas sem rede doméstica e quase sem "rede doméstica". Não era que fosse exactamente preciso, mas deixei acontecer. Queria ver como era, sempre "para ver como foi". Cinco semanas um pouco mais longe da foz do Tejo e, num sempre agradável paradoxo, dele mais perto. Antevi um limbo bem mais estranho, semelhante a um deserto de areias sinuosas, povoadas por cactos e lacraus, desenhadas pela sensualidade aleatória dos ventos e pouco mais. De catálogo, tudo isso, por natureza, serve de causa provável para justificar um montão de feridas e costuma arribar na companhia de um Sol irremediável, de dolo despido e no sufoco da ausência de nuvens por cima, repleto de buracos, talvez, e misteriosos túneis por baixo. Nota mental: é por aí, entre a derme e a epiderme de geologias aparentemente seguras, que comboios e vidas têm por hábito descarrilar.

 

Caso não, entre tanto talvez

Entre tanto do mais vago

Que p’ra aí me empurra

Crê-se, creio no quê?

Nada vale, nunca valeu senão

Esporádicos vales, intervalos

Entre montanhas e precipícios

Todos  a-b-s-o-l-u-t-a m-e-n-t-e

Sós na ilusão da partilha

Neste vigésimo primeiro século

De um credo quase impossível

De que vale dizer o que aí vai

De que vale dizer o que for?

 

E pouco mais digo. Algum medo mantenho. Não das palavras alheias: essas apenas confirmam ausências. Receio apenas as que sinto mais próprias – as minhas, quero dizer. Já houve, no passado, momentos inúmeros em que, preso no fundamento de impressões apenas, disse ou extrapolei quase nada do meu mundo, e uma boa parte disso, para meu desconforto, se concretizou pouco depois, numa tangente demasiado próxima da exactidão, num efeito infelizmente oposto ao meu desejo, tão contrário aos sinais mais "mais", implícitos num feliz verso, apenas, de Cloudbusting (Kate Bush, 1985): “Just sayin’ it could even make it happen”. Por mais que os mais lúcidos duvidem, por mais que uma auto-estima algo deficitária me conduza ao inverso, por inércia ou sobrevivência, repito: “Dizê-lo talvez faça acontecê-lo”. Bom, seja como for, preciso acreditar nisso.

 

Quando tudo quase, sempre quase

À revelia do seu criador

Precoce se finda, talvez

À imagem da histórica Inês

Posta em bonança, em cinzas deitada

Pedro não, pois detesto ver sofrer

Antes coisa boa, mas de passagem

Diga-se como quem diz

Ou como quem já não

Como quem desconfia

Do desejo e adjacentes

Por princípio ou afins

De quem das crenças descrê

E dos ateus mais ainda

Quando tudo parece findar

Será que já ninguém sequer vê

Entre o tédio e o ruído que por aí vão

O que deveras importa, ou já não

O saber que já ninguém quer. Nunca  

Pior, já nem eu quero o vosso

Eis-me, enfim, posto em sossego

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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