Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



por JQ, em 24.03.14

Ambos adeptos de vistas, orelhas, bandas largas

Daí a nossa escolha por últimos andares. Tu

Porque nascida além Tejo; eu, no sufoco vão

Da minhota ânsia por horizontes mais vastos

 

Tanto como agora, cento e quarenta caracteres

Nesse tempo não me bastavam para escrever

E sobravam-me no falar: tangente à perfeita

Antítese de ti, do teu cuidado com números

 

Seis, sete ou mais? Já nem sei quantos anos

Quantas vezes, amarelo vivo, sobre nós rodou

Esse satélite a que chamam Sol num povoado

Meio cinza, de Varzim nomeado, num acaso

 

Duplex, uma renda pechincha, lembras-te?

Um discretíssimo "aluga-se" num andar recuado

Apenas visível para gaivotas como tu, clientes

Do consultório defronte, onde apenas tu poderias

 

Nessa tua distracção aparente, nalgo raro atentar

E do senhorio, o que dizer dele? Um riquinho da

Foz do Porto, talvez arquitecto, parecia não

Precisar da renda. Reconhecimento? Talvez

 

Apenas pela sua intervenção naquela casa

Isso demos-lhe de imediato. Tanto era óbvio

Na sua carência de apreço alheio, achou-nos graça

Talvez, mas o que raio, no seu fundo, terá pensado

 

O riquinho de nós? De ti, da altura da tua elegância,

Ambas raras em mulheres lusas? E de mim, poste banal

Aspecto geral tão bronco quanto o meu discurso aparente?

“Talvez este par de pombos mereça uma renda baixa”

 

Terá pensado o riquinho. Mas o que todos pensamos

De pouco agora interessa. De que importa o nosso,

Ou o pensar alheio, quando já não moços? Estilhaços

Do que ficou, ou já nem isso?, enquanto por cá

 

Cá por dentro, persistem ainda dois terraços

Um deles com vista para o mar, imenso

Um corredor com curvas e contracurvas

Sem fim, minúsculas surpresas arquitectónicas

 

Seis quartos e salas, arrecadações bastantes

Para trinta e sete japoneses. Éramos dois

Nunca precisamos de tanto, e já então

Os teus objectos de uma estranha simplicidade

 

Preenchiam o desadorno das minhas paredes

Ocorriam zangas e cada um ocupava um só andar

Cruzávamos olhares tímidos no tijolo da cozinha

E, uns dias após, tudo amainava. Janelas imensas

 

Permitiam a entrada do sol, a solvência do litígio

O acordo possível num esconso recanto da memória

Vemo-nos, agora menos, subvivos num flat mais twitter

Trabalhas demasiado, nesta mais densa, mais cara, dissolvente

 

Lisboa. Tu, mais perto do Tempo, não prescindes do sms

Um após o outro, enquanto eu, qual africano, retido

Permaneço nas fronteiras da UE, da PT, da ZON ou TMN

Nada OPTIMUS entre acrónimos tantos que nada me dizem

 

Detido permaneço, repito-me no HTML deste blog

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter