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por JQ, em 28.05.14

There must be no distance

between the poet and his word

 

 (Bakhtine, 1981: 297)

 

 

Bakhtine, que aliás parece lê-se

mal em russo, atira ao poeta

o rosto linguístico absoluto

contra flagrante evidência, e. g.,

o empréstimo cortês na poesia

antiga, toda a lírica de récita

e de canto. O grande dialogista

diga-se gostava era do romance

e seus rumores, cria a poesia

pouco sociável, senão egoísta,

olvidável, everything that enters...

must immerse itself in Lethe, and forget (idem)

tudo o que no poema entra mergulha

e a vida toda antes esquece, lembra

só a si... language may remember

only its life in poetic contexts (ibid.)

 

Há um tipo de poeta decerto

apostado em que a poesia invente

um mundo que o real não desmente

literal como ninguém. É Herberto,

exemplo maior da palavra-erecta-

-ardência. Não pode o tradutor ser

Herberto por isso é que Herberto

não traduz

muda

Herberto só devém.

 

Tradutores se poetas são outra

estirpe mais rasteira que prospera

em língua alheia no dizer de outrem

e tem por regra mais que um senhor.

Vivemos de não sermos singulares

mas servos dedicados afinal,

de ouvidos colados às paredes

de falares, requintado plural

de glossa, invisíveis vozes amos

nossos; nós instrumentos díssonos

fragmentos fáceis –  nem

vasos, vácuos

de unicidade –

intermitentes veículos,

ventríloquos

de breve

validade.

 

 

BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. 1981 (1935-1941): The Dialogic Imagination: Four Essays.

(Trans. Michael Holquist and Caryl Emerson) Austin: University of Texas Press.

BARRENTO, João 1940 - .... Vida. Em curso.

BARRENTO, João. 1965-2011. Carreira académica.

BARRENTO, João. 1963 - ... Serviço de Tradução Literária. Forthcoming.

 

 

Pode um tradutor ser poeta?

(poema-ensaio para João Barrento)

de Margarida Vale de Gato

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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