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por JQ, em 26.05.15

Numa tarde menos preguiçosa, talvez esbanje mais algumas intimidades inúteis, fundamentando o meu cansaço, por volta dos 18-20 anos, com a chamada “ficção científica”. Hoje, no sufoco de uma dezena de graus acima do limite da minha céltica estabilidade emocional (15º-25º?), oh, como está difícil comunicar o que seja!, mas adiante.

 

Bom, o principal responsável pelo meu distanciamento da chamada “ficção científica” teve por nome Kurt Vonnegut, Jr. No final da adolescência, li quase tudo dele e sobre ele. Licenciado em Optometria, ou algo assim, não tinha um grande domínio da Palavra (a sério, era demasiado proisaico, faltou-lhe um capricho qualquer...). Denotava "apenas" uma imaginação imparável, uma fonte inesgotável de ideias. Em qualquer dos seus romances – por vezes, numa só página –, revelava mais visões e ficções do Passado, Presente ou Futuro, do que muitos laureados durante um romance inteiro.

 

Da maior parte delas servi-me para concluir, que tanto as suas – as dele, Kurt Vonnegut, Jr. – como as antevisões mais fabulosas da chamada “ficção científica” (Robert Heinlein e Ursula Le Guin, p.ex.), não passavam de reflexões, algo metafóricas, demasiado "moralistas", sobre a humanidade contemporânea de cada autor.

 

Sabem que mais/menos? O Presente, por tão obviamente fátuo, talvez não exista, talvez tenha desistido de ser, diante do peso, bem maior, do Passado e Futuro, sempre tão demasiado próximo na melhor/pior parte de quase todos nós. Filosofias, n'é? Esqueçámo-las, imolemo-nas na pira da nossa crescente desmemória.

 

Vonnegut, dizem, terá usufruído de um inesperado êxito entre alguma população universitária norte-americana, no final da década de 60 do século passado. Bem melhor do que outros (Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, p.ex.), tão mais "científicos” e tão mais pobres a desenhar futuros, Vonnegut, sobretudo entre as décadas de 50 e 80 do séc. XX, através do seu só aparente delírio imaginativo, descreveu como era difícil chegar ao Outro naquele tempo. 

 

Em "Galápagos" (1985), meio ironicamente, lamentava-se de o volume dos nossos cérebros ter aumentado demasiado, daí sendo previsíveis crescentes dificuldades na comunicação. Só mais um par de detalhes num post já demasiado longo:

 

Num dos seus romances mais conhecidos, “Slaughterhouse-Five“ (1969), refere um “seu” animal de estimação - um cão -, a quem teriam cortado a cauda e, que, “nessa ausência”, ficou incapacitado de demonstrar aos seus semelhantes se apreciava ou não a sua companhia. Ainda mais elucidativo, um excerto de “Breakfast of Champions” (1973):

 

Como tantas outras histórias de Trout, esta era sobre um falhanço trágico na comunicação. Eis a sinopse:

  1. Uma criatura chamada Zog chega à Terra num disco voador, com o intuito de revelar o modo de evitar a guerra e curar tumores;
  2. Zog provem de Margo, um planeta onde os nativos comunicam por intermédio de peidos e sapateado;
  3. Zog aterra à noite no Connecticut;
  4. Mal poisa, Zog vê uma casa a arder;
  5. Zog corre até à casa, soltando peidos e dançando sapateado, para avisar os moradores do perigo em que se encontravam;
  6. O chefe daquela família estoira a cabeça de Zog com um taco de golfe.

 

Bom, fosse lá o que fosse, que no ínicio pretendia dizer, no fundo, comunicar é isto, n'é? Quando dialogamos, 9 em cada 10 vezes, o que sobra, caraças? Pulgas,  carraças, cócegas, catares colectivos? Nunca pior, mas tampouco não me basta, a sério que não. Ainda pouco mais do que macacos, n'é? 

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


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