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por JQ, em 27.05.13

 

Materials, Nicolas Jaar, 2008

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por JQ, em 27.05.13

Candeeiros, públicos apagados. A usual penumbra sobre os mais privados. Eu que o diga. Dissesse. Não digo. Como quem diz “Strange times, after all, are strange lands, neither more or less. And so this results in a new exoticism as in a romantic dream”, condensando duas frases do ensaio T.S. Eliot: The Pseudo-Believer.

 

Lê. Vê. O quê? Ouve nunca o diz-que-disse, eco do alheio dito. Quem tal diz não sou eu, claro quê-bê, nem o vizinho do rés-do-chão tão avesso a rimas quanto Manuel Gusmão, Luís Veiga Leitão, Fiama Hasse Pais Brandão.

 

Não. De mim ao longe, sempre ausente, nem um pio sobre o Presente. Anfiteatro há muito ido, quem o disse foi um reaccionário do piorio, o nada equilátero Wyndham Lewis, capítulo terceiro de Men Without Art, mil novecentos e trinta e quatro.

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por JQ, em 27.05.13

Jardim de S. Pedro de Alcântara, Lisboa, numa destas tardes

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por JQ, em 27.05.13

[…]

entro nas sílabas de cabeça triste

começa a vir para cima

a Primavera

 

neste papel palpitam

já nervuras

 

a flora aflora

e eu brinco na pobreza da caneta

com duas, três

e pouco mais ternuras.

 

 

 

no final de Dieta, Armando Silva Carvalho

(Lírica Consumível, 1965)

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por JQ, em 27.05.13

Tejo, Alcântara, Dezembro 2012

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por JQ, em 27.05.13

Avança-se com lentes

minúsculas nos dedos

revolvem-se as frases

que estão cada vez mais perto

e o luxo de haver almas

confunde-se no mar.

 

A cidade rumina,

mas são os filhos

quem vos empresta

ainda este sossego.

 

 

 

A Semana, Armando Silva Carvalho

(Lírica Consumível, 1965)

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por JQ, em 23.05.13

 

Vagabundo, Bernardo Sassetti Trio, 2010

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por JQ, em 23.05.13

Um tórrido silêncio

rodeia em flor os braços

campo de amor – as ondas

sinal de vida – os passos

 

os mastros são lanças

memória que atravessa

os corpos das crianças

 

os corpos são tão barcos

cruéis pesos que inundam

os colchões amarelos

onde os olhos se afundam

 

tece na areia o sangue

doirada geometria

e o sol sugou pelos dedos

a vida da baía.

 

 

A Praia, Armando Silva Carvalho

(Lírica Consumível, 1965)

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por JQ, em 23.05.13

Jardim de S. Pedro de Alcântara, Lisboa, numa destas tardes

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por JQ, em 23.05.13

O mar invade Lisboa mas por dentro
enquanto o velho enfeita
as filhas dos polícias
e há um vago frio nos olhos
mais dementes
destas tardes.

As crianças vestem
coloridamente
seu mórbido e inesperado
séquito.

Mas nas ruas da Baixa
nota-se uma abundância
palpável

um rio vagamente doloroso

um mar por dentro.

Nas lojas de fazendas
na menina da caixa
no fastio amarfanhado
dos porteiros.

Gotas marítimas notavam-se
no brilho das pulseiras
de uma amante
líquido miúdo mas brilhante
até nas varizes das peixeiras.

Há quem diga do sol
um sol insólito é bem certo
mas nota-se até na cauda dos insectos
piedosas solícitas gotas de humi(l)dade.

O mar invade tudo mas por dentro.

 

 

A Inundação, Armando Silva Carvalho

(Lírica Consumível, 1965)

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por JQ, em 23.05.13

Jardim de S. Pedro de Alcântara, Lisboa, numa destas tardes

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por JQ, em 23.05.13

É oco o interior de alguns

quintais. O bailado surdo

e brusco das asas

da galinha.

A caleira podre aonde 

chora um pingo

- o derradeiro.

 

É o mundo minúsculo

dos canteiros; a vida

nos degraus da planta; a sesta

de uma gata que por acaso

insiste em ser novelo.

 

É este chão cinzento.

A carne entumescida das paredes.

As espinhas reunidas

do que foi

um peixe.

 

E as armas toscas de matar

o tempo: colheres, comida,

insectos que tentam

(ao menos) um mundo

irrequieto.

 

É a noite que tem as mãos

suspensas sobre um alguidar

aonde bóia o dia

pequeno

de todas crianças.

 

Em certas casas constroem-se

filhos: a música suave

que se ouve nas camas.

 

Resíduos da canção

a única

que este povo

ainda sabe

e canta.

 

 

 

Os Resíduos do Campo, Armando Silva Carvalho

(Lírica Consumível, 1965)

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter