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por JQ, em 28.05.14

New Slang, The Shins (música: 2001 / vídeo: 2004)

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por JQ, em 28.05.14

There must be no distance

between the poet and his word

 

 (Bakhtine, 1981: 297)

 

 

Bakhtine, que aliás parece lê-se

mal em russo, atira ao poeta

o rosto linguístico absoluto

contra flagrante evidência, e. g.,

o empréstimo cortês na poesia

antiga, toda a lírica de récita

e de canto. O grande dialogista

diga-se gostava era do romance

e seus rumores, cria a poesia

pouco sociável, senão egoísta,

olvidável, everything that enters...

must immerse itself in Lethe, and forget (idem)

tudo o que no poema entra mergulha

e a vida toda antes esquece, lembra

só a si... language may remember

only its life in poetic contexts (ibid.)

 

Há um tipo de poeta decerto

apostado em que a poesia invente

um mundo que o real não desmente

literal como ninguém. É Herberto,

exemplo maior da palavra-erecta-

-ardência. Não pode o tradutor ser

Herberto por isso é que Herberto

não traduz

muda

Herberto só devém.

 

Tradutores se poetas são outra

estirpe mais rasteira que prospera

em língua alheia no dizer de outrem

e tem por regra mais que um senhor.

Vivemos de não sermos singulares

mas servos dedicados afinal,

de ouvidos colados às paredes

de falares, requintado plural

de glossa, invisíveis vozes amos

nossos; nós instrumentos díssonos

fragmentos fáceis –  nem

vasos, vácuos

de unicidade –

intermitentes veículos,

ventríloquos

de breve

validade.

 

 

BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. 1981 (1935-1941): The Dialogic Imagination: Four Essays.

(Trans. Michael Holquist and Caryl Emerson) Austin: University of Texas Press.

BARRENTO, João 1940 - .... Vida. Em curso.

BARRENTO, João. 1965-2011. Carreira académica.

BARRENTO, João. 1963 - ... Serviço de Tradução Literária. Forthcoming.

 

 

Pode um tradutor ser poeta?

(poema-ensaio para João Barrento)

de Margarida Vale de Gato

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"união" europeia

por JQ, em 27.05.14

 

Um qualquer anúncio multinacional / "Moriyn Moriyn", Noir Désir, 2001

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Eurovisão

por JQ, em 25.05.14

maybe he's caught in the legend
maybe he's caught in the mood
maybe these maps and legends
have been misunderstood

 

Michael Stipe

 

 

Sou, isto é, sinto-me deveras, ou seja, vou sendo

Um figurão, digo, um figurante de um western, melhor

Dizendo, de um western spaghetti, daqueles baratos

Rodados em cálidos desertos das mesetas peninsulares. Num

 

Deles acordo na periferia de um moinho quase sem grão

As velas giram por si sós, sem vento aparente

Sancho e Rocinante já há muito se foram. Sumiram

Soldo, ração, reconhecimento, alegaram

Foi justo, ninguém aqui soube governar, mas

 

Dói-me ainda a sua ausência. Faltam-me sementes, raízes

Sobram-me indiferenças gourmet, ageusias como a soja e tofus

Pós-modernos kits e gadgets, fajutos manuais de sobrevivência

À rejeição deste moinho que já quase não mói, enquanto

 

Dulcineia soa-me, parece-me feliz. Adora-me, como?

E ao calor do meu Suão, esse sopro ilusório: eu, eu

Eu já nem sei desejar que só por vezes chovesse

De quando em vez trovejassem criativos tumultos

Interruptas nuvens, águas nem que esporádicas

 

Velho jarreta, meio sonho, vertigem no resto

Devo ter esperado demasiado, talvez

Este moinho já pouco tenha para dar

Talvez, receio, já nem saiba receber

 

 

(3ª revisão / 1ª em Outubro de 2009) 

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Portugal na UE: sim, de costas para o Atlântico; não, nada de novo na Europa;talvez oceano abaixo, submarina nas margens de África ou do outro lado, nas florestas ainda virgens da América do Sul, subsista gente mais singular e comunitária do que nós

por JQ, em 25.05.14

 

And It's Alright, remistura de Nils Frahm de um original de Peter Broderick

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por JQ, em 25.05.14

 

[…] Estamos sempre imersos na mesma linguagem e nos mesmos gestos, condenados à repetição, sem palavras capazes de abrir o horizonte. Trata-se do discurso das tácticas: tácticas de gestão, tácticas de sobrevivência, tácticas de dissimulação, tácticas argumentativas. […]

 

António Guerreiro, 26.3.2011

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por JQ, em 25.05.14

 

Maps and Legends, R.E.M., em 1987 (perdoe-se o ruído publicitário incluso ; atenuante? procurei, sem êxito, a mesma música com uma imagem equivalente) 

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por JQ, em 25.05.14

As I write this line it is in a foreign language.

As I think What does this mean? I remember a sentence

by the allegorical novelist who is said not to speak.

He was a linguist, and his wife is said to interrupt party conversations

by saying : "John has something to say." Can I say,

I oppose all civilization, without being in a city under siege,

without being a Trojan horse?

 

As I write these words,

the sentence I DO NOT SPEAK MY OWN LANGUAGE is in my head

like the line of an ascending aeroplane piercing through cloud.

But I must tell (who?)

 

Beware of those bearing grief in comprehensible words.

Beware of your mouths.

 

 

Dark Horse, John Mateer, 2000 

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Foz de um rio nos confins da Europa

por JQ, em 24.05.14

 

 

 

foz do Ave, Dezembro 2013

 

 

excerto de "Gaspard de la Nuit", de Ravel, por Ivo Pogorelich, em 1983

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por JQ, em 24.05.14

– [          ] a little in his hand, an involuntary

movement. Punch-drunk & frivolous,

making holes, delivering versions.

Having everything one needs inside

one bag that one carries, or

lugs. [          ] heated myself therein

& was very violent. Now they

understand – we’re the punchlines.

Depart from this area of

simulated passion now. The river

caught fire & gave us something

to read about. The tone generated

determines the co-ordinates of the search.

The [escaped & panicked

bird flies] splat [into five-volume

abridgement specially adapted for the

modern] reader. The promise

is OWN A MOVIE FOREVER & pretend

you’re the star [       & n]ot even the pathologist

knows for sure

 

 

in Pause Button, Kevin Davies, 2002

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por JQ, em 22.05.14

foz do Ave, Agosto 2013

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por JQ, em 22.05.14

Tanto ou mais triste que um arménio filme bielorusso

Dos anos 60 ou 70 do século passado: foi, é ou será?

Sobreviver aos primeiros anos de vida, funcionando

Qual adulto, porque então era preciso, já então deduzindo

Os que viriam e vieram após, plenos de gritos e pinotes

Becos sem saída aparente, tão semelhantes aos meus

De então como agora, sem nunca conseguir repeti-los

 

Imagine-se, por desporto, um desses filmes meio francos

Algo gauleses, plenos de uma significância na revessa

Do imbecil, gringo costume, entretém que nos sufoca

 

Raras vão sendo as trocas, truques ou lembranças

Sombras dos meus anos primeiros. As mais nítidas?

Recluso de raras manhãs plenas de sol, estou numa delas
Num quintal a cheirar terra húmida, a prová-la logo após

Vizinha dessa imagem restou um gosto dúbio: o cheiro

Apreciei; o sabor nem por isso. Talvez fumo, cinza ou sobra

Excesso de mim, caminho ao longo do rio curvo, rumo ao mar

 

Pálido, visto uma blusa de felpo laranja. Desbotado, vou de balde

Azul, de pá amarela, escavo areias e descubro ruínas. Bolas, ninguém

Na praia pensei, e assim por diante muito cedo desistindo fui de brincar

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter