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Um outro telejornal

por JQ, em 10.07.15

Não sei o que fazer: há em mim duas vontades

 

Safo (séc. VII – VI a.C.)

 

… / …

 

Isso poderia testemunhar no tribunal do tempo / a mãe suprema dos deuses olímpicos, / a melhor, a terra negra, a que um dia / arranquei os marcos enterrados por toda a parte. / A que dantes era escrava é agora livre. / Reconduzi a Atenas, pátria fundada pelos deuses, / muitos que haviam sido vendidos, uns / justa, outros injustamente e outros que tinham sido / forçados pela necessidade, que já não falavam / a língua ática, de tanto andarem errantes. / E a outros que aqui mesmo já sofriam / ignóbil escravidão, tremendo diante de seus senhores, / tornei-os livres. Isso consegui / com a minha autoridade, combinando / a força e a justiça, e levei a cabo / o que prometi. Escrevi leis / iguais para o pobre e para o rico, estabelecendo / uma recta sentença para cada qual. / Se outro, que não eu, um indivíduo malévolo / e ávido de riquezas, tivesse tomado a vara, / não teria contido o povo, nem se teria detido / antes de ter agitado o creme / e entornado o leite……… / ……….. Se eu decidisse fazer / o que então agradava aos meus adversários, / o, que, ao contrário, outros faziam, / esta cidade teria ficado viúva de muitos homens. / Foi por isso que, tirando forças de todos os lados, / me revolvi como um lobo no meio da matilha.

 

Sólon (séc. VII – VI a.C.)

 

… / …

 

Esmaga com o teu pé o povo insensato, fere-o / com a ponta do aguilhão e põe-lhe na cabeça um jugo pesado. / Entre os homens que o sol ao alto contempla, ninguém acharás, / de facto, tão amigo da escravidão como o povo.

***

Se eu tivesse, Simónides, a minha antiga riqueza, / não me envergonharia no meio dos homens bons, / mas sinto que hoje o dinheiro me escapa e a pobreza / me torna mudo. Vejo, no entanto, melhor ainda / que muitos outros, que vogamos de velas baixas, / fora do mar de Melos, através da noite escura. / Ninguém quer esvaziar a água que o mar lança / de ambos os lados da nau. É o salve-se quem puder. / Alguns, porém, agem: substituíram o hábil piloto / que sabia governar a nau, pilharam a carga / usando a violência, a ordem desapareceu, os despojos / não são partilhados igualmente. São os patifes / que governam, os maus dominam os bons. Temo / que o barco soçobre nas ondas. Possam estes enigmas / ser entendidos pelos homens bons. Mas até um mau / saberá compreender, se for honesto.

***

Insensatos e néscios os homens que choram os mortos e não a flor da juventude que perece.

 

Teógnis (séc. VI – V a.C.)

 

… / …

 

Até quando repousareis? E quando, ó jovens, / Tereis ânimo forte? Vergonha não sentis / diante dos vizinhos com tal indolência? Julgais / que estamos em paz, quando a guerra / já invadiu toda a terra ………………………….. / Que cada um, ao morrer, atire o último dardo. / Honroso é, de facto e glorioso que um homem lute / pela terra, pelos filhos e por sua mulher / contra os inimigos. A morte virá quando / as Parcas a fiarem. Que cada um avance / de espada em punho e abrigando sob o escudo / um coração valoroso, mal se trave combate. / Porque não é destino do homem escapar à morte, / ainda que a sua raça proviesse dos deuses. / Muitas vezes alguns, evitando o combate e o ruídos dos dardos, / mantêm-se afastados e alcança-os em casa a morte fatal. / Mas esses não são estimados nem amados pelo povo, / ao passo que o outro, se morre, / o lamentam o pequeno e o grande. / A saudade de um bravo que morreu / a todos invade, e se sobrevive, / é comparável aos heróis. Vêem-no como uma torre / diante dos olhos. Sendo um só, / praticou façanhas de muitos.

 

Calino (séc. VII a.C.)

 

… / …

 

Quando / dentro da arca finamente / lavrada o vento / impetuoso e o mar / revolto a arrastarem, tomada / de terror e com as faces / molhadas de lágrimas, abraçou / Perseu e disse-lhe: «Ó filho, / que angústia a minha! Mas tu / dormes. Dormes como uma criança / de peito nesta triste caixa / de madeira e cravos / de bronze que brilham / na noite, estendida nas trevas azuis escuras. Não / te preocupa a onda / que projecta sobre a tua cabeça / a espuma marinha nem / o zumbido do vento, reclinando / teu belo rosto no meu manto de púrpura. / Se para ti terrível fosse / o que é terrível, então / já terias prestado ouvido atento / às minhas palavras. Mas dorme, / peço-te, meu filho, e durma / também esta imensa desgraça. Oxalá / alguma mudança se mostrasse, / vinda de ti, Zeus pai. E se / com alguma palavra ousada / e menos te invoco, perdoa-me.»

***

Estrangeiro, vai dizer aos Lacedemónios que aqui jazemos em obediência às suas ordens.

 

Simónides (séc. VI – V a.C.)

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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