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por JQ, em 28.07.15

"[…] Platão termina a discussão acerca da retórica em Fedro com um mito, neste caso o do deus egípcio Theuth, o inventor da escrita. Por estranho que pareça, o maior prosador da língua grega e um dos autores mais influentes da cultura universal era o que poderia chamar-se «contra» a escrita.

 

O mito diz-nos o seguinte: o deus Theuth ordenou ao rei de Tamos que ensinasse ao povo a arte da escrita, uma vez que esta «tornaria os egípcios mais sábios e melhores de memória». Mas o rei respondeu ao deus que não é o inventor de determinada arte que melhor pode avaliar os seus efeitos, mas sim quem está de fora. E deu-lhe, com estas palavras, a seguinte resposta:

 

«Como pai da escrita que és, apontas, por quereres bem, efeitos contrários àqueles de que ela é capaz. Essa descoberta, na verdade, provocará nas almas o esquecimento de quanto se aprende, devido à falta de exercício da memória, porque, confiadas na memória, recordar-se-ão de fora, graças a sinais estranhos, e não de dentro, espontaneamente, pelos seus próprios sinais. Por conseguinte, não descobriste um remédio para a memória, mas para a recordação. Aos estudiosos ofereces a aparência de sabedoria e não a verdade, já que, recebendo, graças a ti, grande quantidade de conhecimentos sem necessidade de instrução, considerar-se-ão muito sabedores, quando são, na sua maior parte, ignorantes; são ainda de trato difícil, por terem a aparência de sábios e não o serem verdadeiramente»

 

Estas afirmações não podem ser vistas isoladamente, pois há a considerar a própria atitude dos gregos relativamente à escrita. A cultura helénica das épocas arcaicas e clássica vê, de facto, na escrita, pouco mais que um utensílio mnemónico; será mais a época helenística a desenvolver uma atitude perante a escrita mais parecida com a nossa. No entanto, é necessário salientar que, até na época helenística, o texto escrito era sempre visto em termos da sua realização oral. Ler significa em grego e latim muito simplesmente «ler alto», mesmo que a audiência se reduza à pessoa do próprio leitor. […]"

 

 

excerto de “Grécia Revisitada”, Frederico Lourenço, 2004

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


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Junho 2006/Junho 2012

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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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