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por JQ, em 12.11.13

[…] Creio que devia começar a trabalhar em algo, agora que vou aprendendo a ver. Tenho vinte e oito anos e até aqui aconteceu tanto como nada. Repito: escrevi um estudo sobre Carpaccio, que é mau; um drama chamado «Matrimónio» que, por equívocos meios, pretendeu provar qualquer coisa de falso; e versos. Ah, mas que significam os versos, quando os escrevemos cedo! Devíamos esperá-los enquanto acumulamos sentido e doçura durante toda a vida e, se possível, durante uma longa vida, e, só então, no fim, talvez pudéssemos escrever dez bons versos. Porque os versos, ao contrário do que pensam as gentes, não são sentimentos (esses acontecem bastante cedo), - são experiências. Por amor de um verso, temos de olhar muitas cidades, homens e coisas, temos de conhecer os animais, sentir como voam as aves e saber o gesto que abre as flores pela manhã. É preciso pensar de novo caminhos em regiões desconhecidas, encontros inesperados e despedidas que olhamos vindas de longe, - em dias de infância ainda não esclarecidos, nos pais que tivemos de magoar quando nos traziam uma alegria sem que nós a compreendêssemos (era uma alegria para outro-), em doenças de infância que começam de maneira tão estranha com tantas transformações profundas e graves, em dias passados em quartos calmos e recolhidos e em manhãs à beira-mar, no próprio mar, em mares, em noites de viagem que passaram sussurrando alto e voaram com todos os astros, - e ainda não é bastante poder pensar em tudo isto. É preciso recordar muitas noites de amor, das quais nenhuma foi igual a outra, gritos de mulheres no parto e parturientes ligeiras, brancas e adormecidas no seu fecho. Mas também é preciso ter estado ao pé de moribundos, sentado perto de mortos, no quarto com a janela aberta, e dos ruídos que vinham por atalhos. E também não é ainda bastante ter recordações. É preciso saber esquecê-las quando muitas, e é preciso, com enorme paciência, esperar pelo seu regresso. Pois mesmo as recordações ainda não são o que é preciso. Só quando elas em nós se fazem sangue, olhar e gesto, quando já não têm nome e já se não distinguem de nós mesmos, só então é que, numa hora muito rara, pode ocorrer que do meio delas se erga a primeira palavra de um verso [...]

 

 

 

excerto de Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge, Rainer Maria Rilke, 1910

partindo de uma tradução de Paulo Quintela (ligeiramente alterada porque, lamento Sr. P.Q.,

olhei agora o original e acabou por me soar melhor assim) encontrada no blog Arpose

(uma arca virtual bem rara, povoada por imensas coisas, belos sons, curiosidades sem fim)

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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