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+1 cliché...

por JQ, em 03.03.17

Outro lugar demasiado comum?

Um dos meus pais, bom, esse

O mais próximo do meu adn

Esse, talvez demasiado vivido

Talvez vítima barra beneficiário

Da farmácia actual, sobrevivente ainda

Talvez demasiado cego e surdo

Entre sombras, já pouco vislumbra

Talvez alguma justiça nisso persista

Nesse boémio pai à moda antiga

Púdica esposa? Mudez conveniente?

Desconforto entre lençóis? Adiante

Viva Salazar, seus discípulos e vítimas

À partida, desprovidos de qualquer sorte

Contentamento mútuo? Ei, bonita utopia, mas        

Enquanto pai, tio, mero desejo do que nunca fui

Bom, diz-me o pudor: “E se alguns de nós

Cambada de órfãos de pai e mãe, contemporâneas

Vítimas de tantos não exactamente presentes

- Oh, esse desconfortável limbo entre o passado e o futuro -

Idos fossemos além da nossa triste natureza?

Enquanto jovens, exigimos demasiado? Claro que sim

Sempre um pouco mais adiante, ainda pode ser?

Como eu, já sem esperar qualquer resposta

Após moribundos passados e futuros, alguns

Ingénuos, decerto. Sabem? Talvez não, mas

Vai resistindo alguma gente em redor, um ou outra

Gente que não esqueceu uma questão essencial:

- Se não soar excessivo o pedido, seria possível

Para a melhor parte de nós, sermos um pouco

Menos sós, um pouco mais próximos, sei lá eu?

Vila do Conde, Agosto 2013

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por JQ, em 27.02.17

Enquanto blogger, passei uma dúzia de anos (desde 5 de Fevereiro de 2005) a tentar acreditar que só valia a pena publicar o que valesse para mim próprio, como se eu fosse o único do outro lado de mim próprio. Fiz por isso. Cativei nisso as minhas melhores e piores verdades. Caramba, dei o meu melhor. Tal não bastou. Há um mês, ainda hoje não sei bem porquê (impulso deveras parvo, decerto), fui para o Livro de Caretas. Nele, em jeito de paradoxo, as minhas melhores e piores verdades e mentiras parecem valer mais do que nunca aqui... Bom, neste sítio bem mais íntimo, qualquer um/a continuará a ser bem vindo/a.

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por JQ, em 16.02.17

 Birdwatching in silent forest - Penguin Café Orchestra, 2015 (original de Cornelius, 2001)

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Entre campos

por JQ, em 16.02.17

Lisboa, estação de Metro do Saldanha, perto das 12H00 de hoje. Sentado no mesmo banco (sentido: Campo Grande), um tipo de lápis faz anotações num livro. No outro lado da linha (sentido: Rato) inúmeros dedilham telemóveis. Eu apenas observo. Dirijo-me a Entrecampos, à procura do que estou cansado de saber. Enquanto rascunho isto num banco de jardim, um velhotito passa por mim, barafustando contra o mundo.

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Convenhamos, quase todo o Abstraccionismo, desde finais do séc. XIX, repousaria melhor em t-shirts ou em papel de parede (em museus?, quase nunca)

por JQ, em 12.02.17

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 Retrovisor - Lisboa, Fev. 2017

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Presunçoso desabafo transcrito do meu livro de caretas

por JQ, em 12.02.17

"Em que estou a pensar?”, outra vez?! A sério, funesto algoritmo, rende-te à televisiva moda e pergunta-me antes o que vou cozinhar daqui a pouco. Enfim, já que tanto insistes: pensando vou que quase toda a “arte moderna”, sobretudo quase todo o Abstraccionismo desde finais do séc. XIX, repousaria melhor em t-shirts ou em papel de parede. Francamente, na parte que toca o meu olhar, quase nunca em museus.

 
Trocando murros e afagos, pontapés e carícias entre si, como naquele brutal desporto conhecido por "Full Contact", o Tempo e a Arte já coexistem há milénios. Durante séculos foi valendo o talento dos dedos e das ideias. Há mais de um século, com o advento das indústrias de massas, sobreveio um natural cansaço e o saudável impulso, quase “punk”, de renegar o passado e, quase "hippie", de reinventar o futuro.
 
Então, tudo bem, repisar o já conhecido decerto soava exaustivo, mas para quê continuar a sobrevalorizar, ainda hoje, a falta de dedos e talento e ideias fora de prazo? Bolas, todos os actuais becos sem saída, todo este vácuo pós-moderno, que percorre artes, ideias e desesperos contemporâneos provêm desse ideal bem-intencionado, mas mal-sucedido. Bom, sinto-me demasiado ínfimo para combater o comércio actual. Daí que tente escapar entre os pingos das modas, que apenas valem pela circunstância em que surgem.
 
O Tempo, esse cruel filho sem mãe (repare-se: do pai, Cronos, dizia-se, chiça, que mantinha o costume gastronómico de devorar os seus filhos), que vai sempre durar mais do que qualquer um de nós e nada mais animal/humano do que tentar sobreviver-lhe, num esforço criativo dirigido para um Sempre impossível de alcançar. Em termos de Arte e Conhecimento, nada mais parece restar senão continuar a estudar passados e presentes, ir experimentando saídas possíveis. De outro modo, todos os futuros continuarão meras sombras do passado. Bolas, por mais do que isto possa soar demasiado presunçoso, nisto ainda acredito.

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Espécie de anotação pouco diária de um recente utilizador do Livro de Caretas

por JQ, em 02.02.17

Ao fim de um par de semanas, durante as quais só vim aqui 4 ou 5 vezes, deu-me na telha enumerar meia dúzia de “queixinhas”, sobre o que, suspeito, nunca irei apreciar no Facebook. Tentarei que seja a última, pois todos já conhecem as suas vantagens e desvantagens há anos e não passa de má-educação “morder a mão” de quem, a troco de publicidade, me oferece uma plataforma onde comunicar. Desculpem-me o “lençol”, talvez demasiado longo, que estendo a seguir:

1. A publicidade obrigatória: todos, sobretudo no Ocidente, vivemos rodeados de anúncios a produtos indignos de qualquer interesse pessoal; ok, a máquina precisa de alimento, mas, a sério, talvez me fosse mais confortável comunicar num ambiente menos publicitário;

2. O layout obrigatório: por pruridos meramente estéticos (sim, sempre estive próximo da certeza do que é belo e do que não é; a minha mãe que repita o que me disse por volta dos meus 5-6 anos: “Tu não me deixas ser mãe, nem sequer me deixas escolher a tua roupa” :), custa-me partilhar as mesmas cores, o mesmo design, o mesmo tamanho de colunas e de caracteres (aqui impossíveis de personalizar, ao contrário dos blogues), a mesma “roupa virtual” com centenas de milhões; é engraçado como um das principais ferramentas do capitalismo actual me faz sentir como um das centenas de milhões de chineses que, sob a ditadura de Mao Tsé Tung, vestiam todos da mesma maneira... adiante;

3. Para quem me foi acompanhando enquanto blogger há uma dúzia de anos, isto não é novidade: num esforço inglório por manter alguma sanidade no mundo “real” e virtual, de quando em vez preciso de me desligar, envolver-me nos cobertores do meu sofá real e esquecer-me do mundo; por vezes, passo semanas sem abrir o email nem o blog; francamente, quando, há 6 meses, me ofereceram um smartphone, não descansei enquanto não bloqueei a possibilidade de receber comunicações internáuticas; aquele pi-pi-pi das notificações telemóveis causava-me uma ansiedade desnecessária, por haver quem quisesse telecomunicar comigo quando nem sempre estava/estou/estarei disponível;

4. Não me levem demasiado a mal neste meu reparo infantil: acho que a maior dos usuários do facebook já não se preocupa em criar ou partilhar ideias (ou conteúdos, como agora sói dizer-se); acho que a maior dos utilizadores desta plataforma do Demo apenas tenta fazer uma espécie de contabilidade de amigos, com ou sem aspas, ou repartir mensagens dignas de um sms; sabem que mais?, até os telemóveis mais pobres já permitem há décadas trocar “likes” entre “smileys” e inanidades do género;

5. Na meia dúzia de vezes em que entrei recentemente nesta minha conta do facebook, não sem angústia, fui-me apercebendo da premência de interagir com quem vai comunicando comigo (nenhuma plataforma de blogues que experimentei – Blogger.com = 2; a extinta Weblog.pt = 1; actualmente no Sapo.pt = 1 me causou tamanha ansiedade, quando não sabia/sei/saberei o que responder);

5. Nem hoje à tarde, nem amanhã (devido a uma agenda profissional anormalmente ocupada), mas, no próximo fds, espero poder visitar dezenas de páginas dos meus amigos sem aspas e distribuir likes e dislikes, conforme diversas Luas me permitirem.

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por JQ, em 31.01.17

 

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por JQ, em 31.01.17

Francamente, não entendo tantas dezenas que querem ser meus amigos (por que raio, caramba, quando eu nunca vou conseguir ser vosso amigo... a tempo inteiro) 

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Ainda falo, acho que sempre falei, de "um amor por/para dentro"

por JQ, em 20.01.17

"O Monstro Precisa de Amigos" (Fim da Canção - Ornatos Violeta, 1999)

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Mero desabafo, ao fim de um dia no facebook

por JQ, em 20.01.17

Aconteceu-me ontem uma coisa para mim digna da maior estranheza. Poucas horas após a minha rendição ao facebook mais de duas dezenas de pessoas manifestaram a vontade de serem meus amigos. Desenvolvo a minha noção de "estranheza": numa dúzia de anos de blogues senti diversos graus de proximidade com não mais de uma dúzia de bloggers; que eu tenha reparado, zanguei-me a sério com três (com quem me arrependi de não ter feito o bastante para manter alguma proximidade, mas, no fundo, uma média decente: uma zanga a cada 4 anos...).

Cheguei a pensar: bolas, não entendo esta gente cibernética ou de carne, osso e nervo; não acredito que tantos queiram ser meus amigos; isso só pode dever-se à máquina algorítmica do facebook, que leu a minha naturalidade e sugeriu dúzia e meia de contactos possíveis. Um senão nesse raciocínio: alguns nada tinham a ver com a minha cidadezinha natal.

Esta manhã, mais uma vez, P. esclareceu-me essa dúvida: "no Face, quando alguém quer ser teu amigo, alguém tem mesmo de fisicamente dedilhar uns enters para manifestar essa vontade".

Claro que, nas próximas horas, vou aceitar todos. Com ou sem aspas, não mantenho assim tantos amigos e seria prova de um absoluto mau feitio (caramba, eu não passo de um totó quase sempre bem intencionado) desdenhar o desejo de amizade seja de quem for.

Até me apetece telecomunicar para 350kms mais ao Norte: "Mãe, rendi-me ao Presente, fui para o facebook e, em poucas horas, re/descobri mais de duas dezenas de amigos. Visto isso, receio que no futuro próximo acabe por aderir ao teu fundamentalismo católico só para me sentir parte de um grupo mais numeroso. Bom, esquece mais esta blasfémia do teu filho mais novo; já reparaste que nestas igrejas e capelas de que falo a talha é quase sempre demasiado dourada?"

Foda-se: tenho a quase perfeita noção de que espero demasiado dos outros. Francamente: quase nenhum conforto espero de ninguém. Uma metáfora, uma vírgula num lugar incerto, oh caramba, quase todos são tão gentis. Sabem que mais?

- Eu não consigo sentir-me minimamente feliz. Quase tudo soando me vai tão insonso, quando não negativo. Foda-se, talvez o defeito seja meu... E daí, todos serão bem-vindos.

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My saddest definition of love

por JQ, em 19.01.17

oldie magazine facebook.png

 "Oldie Magazine" - um excerto do correio dos leitores

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter