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por JQ, em 21.05.15

Antes de mais, é forçoso adiantar que Oscar Wilde, sempre na contramão (por natureza ou pose, não importa agora), em “O Declínio da Mentira” investe contra a predominância do real na literatura e na sociedade da 2ª metade do séc. XIX, defendendo, com dedos, pés e dentes, a sua dama: a Arte, a Invenção e seus derivados, para si (e para mim), únicas ferramentas capazes de suportar a quase sempre miserável Realidade…

 

Não me cabe duvidar de Wilde, nem das circunstâncias do Tempo em que viveu. Desdenhe-se, ou não, de snobes do género, pois, para alegrias futuras, ainda há, vai havendo, necessárias como sempre, utopias que dependem da imaginação de gente assumidamente na revessa seu “próprio” Tempo.

 

O que me levou a mais este desabafo inútil tem sobretudo a ver com algumas cabeçadas trocadas com os dias de hoje, em que muitos de nós já não sabem distinguir entre invenção e realidade, em que o papel dos objectos, por assim dizer artísticos, acaba por esfumar-se entre o caos informativo que nos cerca.

 

Esta ignóbil mecânica tem levado, um atrás do outro, a guettos em que inúmeros portadores de, passe a expressão, boa-vontade criativa se encontram actualmente. Chegados aí, até se afigura como natural limitar a comunicação, no caso a produção artística, apenas aos seus semelhantes, mas tal tendência, creio, só serve para perpetuar a triste concentração entre "os arames sociais cada vez mais farpados".

 

Exemplo: se o que digo ou escrevo atinge apenas 20-50-100 almas e pouco mais, deverei dirigir referências e significados apenas a tão reduzido número de almas, que, no imediato, me podem entender, ou devo facilitar o meu próprio discurso, tentando chegar a milhares/milhões de aparentemente idiotas? Excepto no curto prazo, nada haverá mais errado, e só quem ignore qualquer noção da História da Arte prosseguirá por esse beco sem saída.

 

Sabem que menos? Francamente, quero que a Arte e todos os que hoje a conjugam em maiúsculas vão ejacular bem longe, em seco como sempre (como poderiam doutro modo, se a lúbrica humidade da Natureza/História/Humanidade se marimbou quase sempre para os melhor intencionados?)

 

É certo que, apesar da impotência do meu/vosso verniz, continuo a desejar, no meio de tanta feiura, que alguém se dê ao trabalho de fabricar coisas belas, mas, pela saúde do vosso “caralho mais espiritual”, esqueçam de vez em quando esse marketing tão século 18, tão pimba no fundo:

 

«A Arte acima de tudo», «o papel providencial de l’artiste», «sim, porque somos uma casta acima da ralé». Céus, quanta náusea, quanto vómito de vós cansado, de tampouco da vossa voz resulta! Esse discurso tresanda ao ranço de um boião de gelatina Royal (alguém se ainda se lembra de tal marca?!). Algum dia se cansarão dessa atitude que não passa de marketing deveras fora de prazo?

 

Joseph Beuys, desta para pior, foi-se há dúzia e meia de anos, não sem antes debitar algo que é forçoso repetir: “Actualmente [a Arte] não tem nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-nos a uma conclusão perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção, ao dinheiro, ao produto nacional, ao status de cada indivíduo dentro da sociedade. […] Necessito construir um mundo autenticamente diferente, onde a ideia de Arte tenha uma função especial, relacionada com a sociedade como algo colectivo."

 

Ok, chegado aqui, persistindo vai a certeza de que, numa vida já longe de ser curta, nunca defendi algo de mais in/útil.

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


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Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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