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Clássico, ou perto disso ("pura maldade": mais um exercício, deveras auto-depreciativo, em forma de “tweeting blogpost”...:)

por JQ, em 12.10.15

P.f., não metam Freud nisto: sempre detestei qualquer excesso de linhas rectas, tanto no desenho como na música, até na arquitectura de qualquer edifício ou pensar.

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Perguntem ao vosso ainda unívoco Deus: por que raio, após um criativo/adâmico início, tão pleno de ângulos rectos (oh, tão “Macho Men”, no pior “Village People” sentido da coisa), decidiu criar mulheres (oh, que horror! :), criaturas bem mais belas, “mais redondas”, talvez mais próximas da natureza deste Universo?

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Um destes dias tive a sorte de agarrar, num raro doc televisivo, a demonstração de que uma linha recta (no âmbito de um plano inclinado) nem sempre é o caminho mais curto entre dois pontos. O assunto era matemática, mas trata-se de música, n´é?

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Parece que um jovem matemático italiano (cujo nome, desafortunamente, não fixei), da 2ª metade do séc. XVII terá enviado uma dúzia de cartas a renomados matemáticos do seu tempo, com um desafio só aparentemente simples. 

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Premissa - dois objectos idênticos (esféricos, de preferência, ok, um par de bolas...) em dois planos inclinados paralelos, ambos com os mesmos pontos de partida e chegada; um numa linha recta, outro numa linha curva (sendo esta, obviamente mais longa). Questão plena de "malandragem": qual delas seria o trajecto mais rápido?

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4 dos 12 terão respondido acertamente. 2 deles, Isaac Newton e Gottfried Leibniz, quase absolutos gémeos/rivais antes, durante e depois disso, nunca mais se terão conciliado. O assunto era matemática, mas trata-se de música, n´é?

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Ainda preso numa quase animal aversão à dor e a hospitais, avesso a cilícios sonoros como 99% do heavy-metal, talvez 89% do hip-hop, bem mais do que 79% do chamado “indie-pop” actual…

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Talvez seja impossível, até para um marginal telecomunicativo ou televisivo ou radiofónico, conseguir sintonizar permanentemente o canal Mezzo, a Antena 2 da RDP, só como exemplos maiores, das escolhas musicais de que dispondo vou (ei!, já experimentaram o ´blogspot “Arpose”´?)…

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Sem remissão possível, um moicano (repito-me: raramente telecomunicativo, i.e, electrónico, televisivo ou radiofónico) acaba por se obrigar/ser obrigado a atravessar desertos contemporâneos, em busca de oásis em vias de extinção. A TV por cabo, quase sempre cu-axial, por exemplo.

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Outro exemplo?: Um destes dias, quase juraria ter tele-visto/ouvido o saudoso David Attenborough dizendo que, chiça!, 80-90% das flores existentes neste planeta pertencem às famílias das simultaneamente mais bonitas e mórbidas orquídeas.

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(Auto-ironia: oh, será que, mesmo que tão numerosa, gostaria de pertencer a uma família assim quesilenta, tão mal-cheirosa… só por isso terei vindo para Lisboa? :)

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Assim, de repente, como que brincando com o meu passado, pensando no exagero de plátanos (uma árvore aparentemente aborrecida e aborrecente) existentes na minha cidadezinha natal:

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Sim, durante a adolescência, também consciente do défice de petúnias, na escassez de líri(c)os gladíolos e por aí fora ou dentro, reservando para mim o distante benefício doutras flores, desde que raras. Nisto, bem sei que recluso, entre ideias, floras, zoofilias e lugares demasiado comuns, tento permanecer fora de prazo.

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A sério, durante a minha puberdade, calhou ter provavelmente lido bem mais do que a maior parte do meu escalão etário, mas seria deveras péssimo servir-me de qualquer “mais meu” como argumento de autoridade.

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Por mais que eu me esforce por não frequentar sítios e tempos comuns entre mim e quem já me conheceu, há uns largos meses, calhou cruzar-me com um antigo colega, que, quando o conheci na FLUL, insistia que eu deveria publicar “em papel” (só por isso, passe a boa-fé inclusa, um “chato do caraças”)

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Um dos “piores sacanas possíveis" (brinco, claro: “bloquista”, mas, apesar dessa sua condição, para mim tão dúbia, continua horrivelmente tão adorável como uma boa parte dos monárquicos que tive a fortuna de conhecer…).

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Em plena Baixa alfacinha, servindo-se de uma expressão que eu, há um par de anos, lhe repeti, disparou, com um sorriso “empaticamente assassino”: “As árvores, contigo, podem continuar a dormir descansadas? :)

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(Urgh!, apeteceu-me bater-lhe... claro que nunca :). Este “semi-real/semi-caviar sacana” confrontou-me (ora bolas, sei bem que apenas tentou suscitar em mim um empático sorriso), provocando-me com “a verdade possível”, outro conceito que, sempre disso desconfiando, defendendo vou diante de quem mais gosto.

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Durante algumas décadas de subvida, após tanto eucalipto em redor, apenas ficou mais claro que o que mais vale – um só carvalho, por exemplo - talvez perdure mais do que qualquer floresta. Convenho, quase nunca não.

Acredite-se, ao menos nisto: mesmo quando quase todos que valorizo esmorecendo vão, uns poucos de vós, num misto de ciência e boa-fé, vão-se esforçando por levar esta humana arca ao melhor porto possível (quem?, conheci uns poucos, mas não são famosos:).

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Bolas!, alguns de vós talvez nem imaginem quanto aprecio a maior parte da vossa vós (cambada de piratas e marginais sem dó :). Desculpem-me a discrição. Ainda bem que persistem.

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Eu já não, obviamente. Auto-ironia: é tão confortável ser céptico ou cínico, envolto num qualquer vácuo, desses tantos, à solta por aí fora, talvez demasiado "dentro de mim”, talvez, apenas por isso, só virtualmente distante de vós.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

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T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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