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da Incerteza

por JQ, em 29.03.15

[ uma coisa antiga, de 10.8.2005, acordada pelo excerto, mais abaixo, de Claude Lévi-Strauss ]

 

Foi assim, nem + nem - : sabendo-me composto de 12 pares de costelas e visto a frágil cartilagem das minhas letras parecer encontrar-se de férias, virei-me para as ciências. Apesar de já não recordar sequer como efectuar manualmente divisões por + do que 2 dígitos, dediquei-me, com o > pundonor, à mecânica quântica. Verdade…

 

Como era suposto essa maré durar nem 1 par de luas, a solução foi saltar por cima de Tales, Pitágoras, Euclides, Erastótenes, Copérnico, Kepler, Fermat, Pascal, Gauss, e tantos outros, aterrando à toa em cima de Werner HeisenbergNiels Bohr e Max Planck.

 

Mentira = conheci estes 2 últimos nos tempos em que fiz rádio. Aliás, qualquer 1 que saiba mexer n1 mesa de mistura já terá ouvido dizer, no mínimo, que o Raio de Bohr não é 1 interjeição depreciativa para o Niels, mas antes o raio da camada electrónica + próxima do núcleo atómico.

 

Interstellar Overdrive, Pink Floyd, 1967

(+ colagem de "2001, A Space Odissey", Stanley Kubrick, 1968)

 

Relativamente a Heisenberg, a coisa complicou-se. Em tempos, conheci-lhe a Aba. Ignorava-lhe o Princípio da Incerteza, o tal que, além do +, postula não se poderem medir com segurança as propriedades básicas do comportamento subatómico. Credo! Assustei-me a princípio. Logo após, para reganhar alg1 alento, socorri-me do empirismo + elementar.

 

Cozinhei 1 refogado de alhos e bugalhos e deixei aloirar na Bimby do meu neo-córtex; escavei no hipocampo e na amígdala e recordei aquela coisa dos 2 triângulos cruzados na estrela de 6 pontas dos hebreus (“o que está em cima é = ao que está em baixo”?); as semelhanças entre a figurações d1 átomo e d1 sistema planetário; o facto de cada planeta se ir gradualmente distanciando do seu sol, como cada sistema planetário do centro da sua galáxia, como estas do espaço-momento em que terá ocorrido o Big Bang, tal e qual os filhos se vão afastando dos pais ao longo do tempo.

 

O resultado do refogado foi decepcionante. Também, como raio poderia Heisenberg querer medir com segurança as propriedades básicas do comportamento subatómico? Bolas, nem do comportamento subatómico nem de nenh1 outro + superficial. Para chegar à mesma conclusão, basta conhecer os rudimentos de 3-4 religiões.

 

+ ainda? 1 pastor de cabras da Serra de Lafões, que passe + tempo no meio dos bichos do que com os seus semelhantes e conheça o seu umbigo melhor do que se vivesse em Silicon Valley, sabe que o seu comportamento, ou o das cabras, quando não o seu comportamento com as cabras, não é inteiramente previsível, quanto + mensurável.

 

Apesar da desilusão com Heisenberg, admirei-lhe a bravura. Afinal, se não descobrirmos, no entretanto, nada + importante para distrair o Tempo, por que não ir medindo os limites desta criatura a quem chamamos não Asdrúbal, mas Universo?

Todavia, nesse esforço, não estaremos apenas a reduzir a sua dimensão à nossa escala, a tentar comê-lo, olhando-o quase como 1 viúva + desesperada olharia para 1 dildo do tamanho do mundo?

 

Claro que o pastor de cabras há muito intuiu ser tal esforço inglório; que depois de ultrapassar 1 montanha, surgirá 1 outra, e outra, tantas + e assim por diante. Por muito que se tente aumentar o conhecimento do mundo, em X de abranger a sua real dimensão, o que se consegue é tornar os seus limites simultaneamente + ínfimos e + longínquos. Ressalve-se = em si só, isto não contém só 1 sinal - , uma vez que prolonga a Viagem.

 

Convirá, apenas, cada 1 saber escolher entre ser 1 daqueles amantes de carros, sempre tão concentrados na máquina e na mecânica das coisas que nem apreciam a paisagem, ou aquele sentado no lugar do morto ou no banco atrás, disfrutando a viagem com o > conforto possível.
 

O parágrafo anterior parece privilegiar a última escolha, mas nem tanto. Se, como assegura aquele adágio do mambo-jambo oriental, “viajar é + importante do que chegar ao destino”, creio bem que a esperança de Heisenberg, Bohr e Planck e tantos outros era que, ao fim de inúmeras montanhas, surgisse 1 espécie de mar imenso, onde tomar 1 banho de plenitude, onde descansar por momentos, para, logo após, tentar descobrir se existirá algo + do outro lado desse mar, e + e + e +. E, outra X, também isso pode contribuir para, distraindo o Tempo, essa criatura do Demo, ir alongando a Viagem.

 

gif-autor-Edward-L-Wright.gif

autor: Edward L. Wright, 2003

 

Desse modo, animado pelo exemplo daqueles 3 bravos heróis, agarrei-me ao logos e ao quantum como a 1 bóia de salvação e, cruzes!, descobri que, na imagem supra, as flutuações quânticas estão a ocorrer uniformemente através do espaço, crescendo de acordo com a lei R = (c/H)(exp[H*dt]-1), e movendo-se segundo a lei X = Xo exp[H*dt] Y = Yo exp[H*dt], sendo certo que aquela imagem mostra 1 região que se estende +/- 2 (c/H) em X e em Y.

 

Quem não entender isso, receio, talvez nunca vá entender senão a rama dos Vedas, da Bíblia e do Corão, nem o facto de este ter sido, de longe, o post + silly da estação. Hão-de ter paciência, não?

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