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Da pele e do fundo (= quando o nosso mais Fundo e qualquer outro submundo do género tornando se vão cada vez mais impossíveis, a Pele de cada um deve esforçar-se por persistir Única)

por JQ, em 07.03.16

 

Lidos e ouvidos durante este fim-de-semana? Quase nenhuns. Deu-me para dormitar, pois encontrei-me imerso na maior tristeza, por, só agora, ter descoberto um dos meus pontapés na gramática. Isto não pretende ser ironia. Isto é que sinto. Há décadas que a palavra/ideia “resto” me soa mal, quer gastronomica quer sociologicamente. Desde então, tenho preferido “réstea”, que visualmente me soa um pouco melhor. A causa de tamanha dor reside, tanto na crescente aversão ao "calor humano", como em não ter escolhido “réstia”, como deveria. Bom, sacudindo tristezas supérfluas, aí vão alguns lidos e ouvidos, num esforço, condenado ao fracasso, para nunca baixar braços nem mãos nem ouvidos para o Outro:

 

excerto de "Do The Right Thing" (Spike Lee, 1989)

 

 

Píndaro (522 – 443 A.C., talvez), escreveu na sua 2ª ode pítiana «[Genoi autos essi mathon]», ou seja, torna-te no que és.O que individualiza o nome de cada um ou, noutras palavras, a linguagem na qual cada um encontra o seu lugar – melhor dizendo, o controlo social da voz interior ou, noutro mundo, eterna servidão. Não te tornes escravo da tua gente, recluso do patrónimo que te deram, dentro da linguagem colectiva que te ensinaram. Doutro modo, o nome que te deram tomará o lugar da tua pele.

 

excerto de “Le Vœu de Silence” (Pascal Quignard, 1985)

 

 

Do The Wrong Thing (The Lounge Lizards, em 1979)

 

AH these Murphys, Molloys and Malones do not fool me. They have made me waste my time, suffer for nothing, speak of them when, in order to stop speaking, I should have spoken of me and of me alone... I thought I was right in enlisting these sufferers of my pains. I was wrong. They have never suffered my pains... Let them be gone now, them and all the others, those I have used and those I have not used, give me back the pains I lent them and vanish from my life... There, now there is no one here but me...

 

The tyrants, of course, are scheming perpetually to effect his amalgamation with another:

 

Yes, more than once I almost took myself for the other, all but suffered after his fashion, the space of an instant. Then they uncorked the champagne. One of us at last! Green with anguish I A real little terrestrial! ... Mahood himself nearly codded me more than once. I've been he an instant... […] He also insists, however, that before he is allowed to be himself the tyrants require him first to be another:

 

It's a lot to expect of one creature, it's a lot to ask, that he should first behave as if he were not, then as if he were, before being admitted to that peace where he neither is, nor is not, and where the language dies […]

 

excerto de The Unnamable (Samuel Beckett, 1953)

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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