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por JQ, em 10.06.14

Vá lá, um post de blog, muito viriato, como há muito não soía. Sim, eu gosto muito de Portugal, um sítio repleto de de ques e nomeadas mentes. Por desgraça não apenas minha, só me sinto português no estrangeiro. Para maior desventura, os sucessivos assaltos dos últimos anos têm-me roubado a possibilidade de férias minimamente decentes, ergo, de viajar além-fronteiras, i.e., de me sentir português. Adiante, sempre entre o naufrágio e a esperança. Em abono da História raramente lusa, depois mim e de nós, poderá sempre vir gente mais criativa, mais interessante. Ou, então, não, mas…

 

Portugal ainda é um sítio, onde, contra todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde (excepto as exclusivamente gastronómicas), vive gente, gente que apenas descansa do seu sítio quando em paisagens mais exóticas do que o seu próprio sitio. Daí tantos, como eu, viverem eternamente em férias de "si", distantes do conceito de "nós", longe da "pessoalidade" de alguns pronomes, como se, por exemplo, a maioria de nós fosse uma cambada de filhos sem mãe visível, tal como a meia dúzia de famílias e afilhados, que há vários séculos nos desgovernam. Sempre foi, ainda é. Talvez, de futuro, não seja tanto assim, pois o Tempo, esse enorme bastardo, não é clemente para quase ninguém…

 

Também eu, um snob do piorio em dias demasiado pares, mesmo não me sentindo parte dela, pertenço a esta gente. Dia sim, dia não, abandono o meu sítio e aí vou eu: ó pra mim, que já vivi no Norte, Centro e Sul, agora atravessando a capital de lés a lés, como se calcorreasse simultaneamente o Sahara, o Gobi ou o Kalahari, zunindo em vácuas zons, desertas cabovisões, em ritmo de meo zapping através da infernal tv por cabo.

 

Assim vou arrastando esburacados sapatos, semi-distraído de discursos, concursos, séries sem mais espaço senão para polícias e ladrões, conversetas de telejornal que quase todos repetem, por toda a parte ouvindo lamúrias demasiado particulares, quase todos de costas para outros, incluindo portas cerradas, mas ainda seguros votantes em coelhos e outras alimárias de capoeira, chafurdando nos dejectos que o ianque império vai exportando, exultantes com os hambúrgueres dos outros, entre disfóricos lamentos e reclames de si, mediáticas lolitas e carpideiras roucas, loucos sem dó senão da própria voz, plenos de pavor de perder a vidinha e o status, surdos por marketings repletos de medonhos nadas.

 

Sabem que mais? Já não há pachorra para este país. Duvido de mim, acreditando em vós? Já foi tempo disso. Não funcionou. Outra pergunta longe do fácil: Onde residirá o segredo, a mitocôndria, o registo químico, a noção inscrita, garante da sobrevivência de qualquer "nós"? Saberá a vox populi algo que eu desconheço? Não faço a menor ideia: nem a melhor de mim, nem a pior de vós, enquanto, quase todos atolados, persistirmos no lodo desta finisterra.

 

Dancemos, então, como Nelly Correia e seus rapazes, cantando “sempre será como dantes, como no tempo dos nossos avós”, sem reparar no vídeo seguinte, em que, apesar do apelo à dança, todos os pés nem por um segundo conseguem descolar do chão. Amanhã, num dia qualquer, que desejo próximo, tentarei soar mais positivo, porque ainda vive gente decente neste sítio. 

 

Envie um SMS qualquer para NELLY1966 (custo: uma bagatela + IVA) e habilite-se a ganhar para cima de um dinheirão ou dois… ------ Bruno: “Nelly, ké feito d ti,…d mim, kem saberá d noz?” ------- Fábio: “Cátia, meu nome é Zé Ninguém kuando tu num tás. Tarás tu? Tarei eu? Oh k fasso uma asneira” -------- Celeste: “Lucinda, o Tojó não te merece e eu tou bués da farta da Pituxa. Bute lá?” -------- Gonçalo: “FêCêPê FêCêpê FêCêPê os Superdragões rulam” -------- Tomané: “Cajó, meus kotas foram d fds pá Kuarteira. Meliga vá” ------- Leandro: “Vanessa, vivo num T2 com kixenéte e tudo e tudo mas sem ti desfalesso em ais, suspiro pro ti, promeças damor iterno pra ambos os 2” ------ Rute: “Zéza, tespero. Mestrafega o pudor. Mediz o k for” --------- Valério: “Ritinha, sabes kem sou? Eu nem por isso mas tásse num tásse?”

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


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