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Oh, Fuck Da Funk: chic-chic & wah-wah & some "falsettos" & a few whities pretending to sound black (uma espécie de banda sonora para iates físicos e metafóricos)

por JQ, em 29.02.16

 

 Barry White + Donald Fagen + Prince + The Doobie Brothers + Parliament  + Chic + Earth, Wind & Fire + Steely Dan + Funkadelic + Michael Jackson + Indeep + Sly & The Family Stone + KC & The Sunshine Band + Curtis Mayfield (é-me curioso reparar como, já então um pequeno snob em gestação, eu abominava uma boa metade destas músicas no seu "tempo" - décadas de 70 e 80 do século passado - e agora... a idade prega-me cada finta... receio, daqui a uns anos, acabar por apreciar algum do pop-rock, hip-hop e r&b actuais : ) 

 

 

Este Sábado nem sequer abri os estores. A metereologia dizia péssimo o tempo lá fora. Por uma vez, acreditei. Quis lá saber do que corre lá fora. Esbarrei numa dúzia de poemas de Vitorino Nemésio, bem esgalhados, há uns quarenta anos, no Brasil e no Canadá. Desisti. Faltava-me um pretexto, pois não devo contribuir para a aleatoriedade gratuita e caos informativo reinantes. Precisava criar qualquer espécie de sequência com os posts de baixo. Comecei a garatujar uma coisa sobre umas senhoras que faziam limpeza lá em casa, há uns quatro anos, quando os patifes anteriores nos roubaram quatro salários por ano. Não acabei. Apeteceu-me viajar de iate.

 

Atalho: eram mulheres bravíssimas. Fizeram-se à vida, após o fecho das fábricas, onde trabalhavam nos arredores de Lisboa,e montaram o seu pequeno negócio. A mim, desde miúdo avesso a detergentes e espanadores, das poucas vezes que assisti ao seu trabalho, assustou-me a fúria com que atacavam o nosso pó pequeno-burguês.

  

Mais curioso sempre me deixou a estética com que voltavam a arrumar os objectos “decorativos”. Dispunham-nos sempre, mas sempre, de forma geométrica, com algo no centro e o resto horrivelmente ordenado em redor. Essa opção, demasiado óbvia numa sociedade, num texto literário, num post, num filme, em fotos mais casuais ou num objecto mais artístico, sempre, mas sempre, inquinou a minha melhor atenção.

 

Assim de repente, uma “jardineira” comparação: quem já visitou Versalhes (ganda seca!) e outros jardins europeus, geralmente tão aborrecidamente simétricos, caso não seja demasiado vesgo das ideias, talvez tenha acabado por valorizar mais os fabulosos jardins japoneses, em que as criaturas vegetais acabam dispostas numa espécie de caos harmónico. Sim, um dos meus objectivos de vida…

 

Adiante. Não me apeteceu discorrer sobre caos nem tristeza. Aterrorizavam-me com a borrasca lá fora. Já não quero esse saber. Este Sábado, nem que dentro de casa, aconteceu-me o súbito desejo de viajar de iate, nem que numa lancha ou numa traineira, e driblar toda a tristeza em meu redor. Recordei meia dúzia de amigos distantes, meus verdadeiros "iates emocionais" com quem gostaria de passar uma tarde no mar, e seu gosto musical geralmente "mais positivo" do que o meu. Daí ter passado um par de horas a reunir (acima) uma sequência de músicas, à partida, capazes de proporcionar uma dança/navegação minimamente agradável.

 

Claro que, para a coisa não soar demasiado fácil nem embarcar no mediático menor denominador comum, intrometi meia dúzia de músicas do género um poucochinho mais elaboradas. Quando hoje se publica seja o que for, nunca se sabe exactamente quem está do outro lado. Já nem se espera que alguém possa apreciar algum tecido, o menor farrapo de uma ideia. Se, no dia seguinte, eu próprio encontrar nisso algum conforto, nunca pior.

 

Dizem que é Sábado e que está a chover. Entre música alegre, uma ideia final algo triste.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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