Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Gustav

por JQ, em 10.07.14

Assim mesmo, algures entre o abrupto e o ainda presente, persistem algumas memórias, quase sempre entre o bonito e o útil, da minha recente passagem pela FLUL (três meses vezes três, ou, no corrente "bolonhês", três "semestres"…). Primeira: Sem nenhuma intenção de encerrar uma geração num estereotipo (sim, a malta que tem hoje pouco menos ou pouco mais de vinte anos, tendo-os conhecido de perto, são mais vários do que se pensa e talvez, como as gerações anteriores - a minha, por exemplo -, não caibam nas gavetas a que aparentam pertencer). Recordo, ainda clara, uma apresentação em Powerpoint de um trabalho sobre “A Cidade e as Serras” do Sr. de Queirós.

 

A colega apresentante, aparentando quinze (talvez tivesse vinte) anos, limitou-se a um simples copy & paste da Wikipedia. Em abono da sua honestidade, um alibi: citou a fonte. No final da apresentação, a professora pediu comentários. Como ninguém se atrevia, um tipo qualquer, sempre na última fila, já fora de prazo (o que assassina este post), atreveu-se a perguntar: “Bom, isso foi o que descobriste, o que outros disseram sobre A Cidade e as Serras. Tudo muito bem, mas o que pensas tu sobre cidades e serras?”. A minha jovem colega, por momentos hesitou, mas lá acabou por debitar a sua opinião pessoal sobre esse tema-conflito. Nunca pior. Suponho que no ensino actual, entre professores e alunos,  talvez seja de manter uma qualquer noção de desafio entre um lado e o outro. Talvez fosse melhor para ambos. 

 

Segunda: "Numa dúzia" de professoras e professores (onde só três ou quatro se mostraram desmotivados), “três dúzias” delas e deles, numa ou noutra ocasião, deixaram no ar justíssimas advertências sobre a utilização da Wikipedia em trabalhos académicos. Nada mais compreensível, em face dos abusos e da exigência que qualquer saber académico deve merecer. Adianto, num sempre vão esforço de impedir que alguém, por uma só vez, me ache capaz de alguma sensação de superioridade sobre tantos colegas, tantos deles e delas filhos da minha geração, um terceiro episódio em que também justamente "levei nas orelhas": 

 

Na resposta a um teste sobre um par de poemas de Sophia M.B. Andresen, saiu-me um parágrafo perfeitamente desnecessário (sim, de chofre, como quase todos nos meus testes na FLUL, sem a possibilidade de correcção existente num blog individual como este) sobre o que poderia ter levado Sophia a escrever já não lembro exactamente o quê sobre a Grécia. Na entrega individual do teste, nessa especial cadeira (dada por uma professora bem particular, senhora de um amor à Poesia talvez sem par), foi-me dita uma verdade quase absoluta que não esqueci. As suas palavras foram mais ou menos estas: “Você até pode ter razão, mas, durante a análise de um poema, mais importante do que a motivação do Autor, o que importa é a “verdade dele”, aquela, que através da sua Arte, ele nos deixa saber ou pretende que acreditemos como “verdadeira”. 

 

Ora bolas! Aquilo foi e continua a ser verdade sem aspas, sobretudo quando, cada vez mais, quase tudo “em 3D” me leva a acreditar que alguma Arte ainda permanece vários degraus acima da Realidade - da minha, pelo menos. Nenhuma crítica, algum dia, me impediu de quase nada. Antes costuma despoletar em mim um espírito de contradição deveras infantil. Sim, vou citar algumas passagens da wikipédica entrada sobre Gustav Mahler (oh, a maldade das crianças!). Pior ainda, aquelas de teor mais “psicologista”.

 

Atenuante? A Wikipédia, em tantas das suas inúmeras sínteses, nessa fragilidade intrinsecamente sua, pode ser horrivelmente redutora, mas a minha verdade é que, após ter pesquisado perto de quatro dezenas de entradas sobre Gustav Mahler, a da Wikipedia soou-me bem mais completa. Nesta, encontrei fontes plenas de visões e opiniões sobre a vida e obra de uma ave rara, talvez mais uma vítima de um quase sempre infeliz resultado de processos educativos contaminados pela ortodoxia de apaixonados seguidores do Livro (calvinistas ou baptistas se cristãos, sunitas se muçulmanos, filho de hebreus praticantes como os de Mahler, a soma de toda essa negatividade se filhos dos meus pais). Aí vão alguns excertos:

 

Mahler's oeuvre is relatively small; for much of his life composing was necessarily a part-time activity while he earned his living as a conductor.

 

Most of his twelve symphonic scores are very large-scale works, often employing vocal soloists and choruses in addition to augmented orchestral forces.

 

These works were often controversial when first performed, and several were slow to receive critical and popular approval.

 

[He has] developed early on a permanent sense of exile, "always an intruder, never welcomed".

 

[He] was introduced to music through street songs, dance tunes, folk melodies, and the trumpet calls and marches of the local military band. All of these elements would later contribute to his mature musical vocabulary.

 

His school reports from the Iglau Gymnasium portrayed him as absent-minded and unreliable in academic work.

 

Bernhard Mahler was supportive of his son's ambitions for a music career.

 

Few of Mahler's student compositions have survived; most were abandoned when he became dissatisfied with them.

 

His chief interest was the sound of the music rather than the staging.

 

Mahler's biographer, Jonathan Carr, says that the composer's head was "not only full of the sound of Bohemian bands, trumpet calls and marches, Bruckner chorales and Schubert sonatas. It was also throbbing with the problems of philosophy and metaphysics.

 

His individualistic and increasingly autocratic conducting style led to friction.

 

Mahler's demanding rehearsal schedules led to predictable resentment from the singers and orchestra with whom, according to music writer Peter Franklin, the conductor "inspired hatred and respect in almost equal measure."

 

Mahler has been described as a lifelong agnostic.

 

Natalie Bauer-Lechner, his earlier partner, said that living with him was "like being on a boat that is ceaselessly rocked to and fro by the waves".

 

Early critics maintained that Mahler's adoption of many different styles to suit different expressions of feeling meant that he lacked a style of his own; Cooke on the other hand asserts that Mahler "redeemed any borrowings by imprinting his personality on practically every note" to produce music of "outstanding originality."

 

To Sibelius, Mahler expressed the belief that "The symphony must be like the world. It must embrace everything." True to this belief, Mahler drew material from many sources into his songs and symphonic works: bird calls and cow-bells to evoke nature and the countryside, bugle fanfares, street melodies and country dances to summon the lost world of his childhood. Life's struggles are represented in contrasting moods: the yearning for fulfilment by soaring melodies and chromatic harmony, suffering and despair by discord, distortion and grotesquerie. Amid all this is Mahler's particular hallmark—the constant intrusion of banality and absurdity into moments of deep seriousness, typified in the second movement of the Fifth Symphony when a trivial popular tune suddenly cuts into a solemn funeral march. The trite melody soon changes its character, and in due course re-emerges as one of the majestic Brucknerian chorales which Mahler uses to signify hope and the resolution of conflict.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter