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por JQ, em 28.02.15

Metabloguice. Descendo, sempre descendo… Qualquer arquitecto, qualquer engenheiro civil, até qualquer empreiteiro de apelido Cunha sabe que não se deve mexer muito nos alicerces de uma casa. Pelo contrário, os alicerces deste blog nunca deixaram de ser movediços. Recentemente, enquanto removia uns e acrescentava outros nomes, reparei nalguns detalhes: a primeira e a segunda colunas foram crescendo de forma quase cronológica, enquanto a terceira e a quarta de modo alfabético. Porquê? Só faço a menor ideia.

 

Na primeira, para além de uma espécie de declaração de independência (a possível), constam também dependências: pessoas que me foram influenciando positivamente, listadas conforme as fui conhecendo (família, infância, adolescência, da juventude até à actual quase provecta idade, os bloggers com que mais gostei de me cruzar e, obviamente, os professores que melhor me ensinaram).

 

O único nome completo é o de um tio, quase substituto pai, porque já falecido; dois nomes apenas representados por iniciais, para preservar a intimidade possível; amigos, de alguns só o primeiro nome, noutros mais a inicial do apelido, pois soar-me-ia quase obsceno identificá-los virtualmente; o desrespeito pelo mesmo princípio quanto aos professores (excepto os dois primeiros, já falecidos, e de quem só recordo o seu primeiro nome, aquele pelo qual faziam questão de serem chamados…), divulgar o seu nome e apelido é quase um serviço público para quem eventualmente puder vir a ter aulas com eles.

 

Alguma tristeza, enfim: actualmente, com a meia dúzia de bloggers listados nessa primeira coluna, não mantenho qualquer contacto, nem sequer virtual, com nenhum deles; quanto ao último amigo, referido nessa mesma coluna, conheci-o há cerca de três anos. A bem dizer, receio perdê-lo de vista e da fala, pois sei bem os óbices deste meu modo, tão irregular quanto abrupto, de telecomunicar. Isto significa que, desde então, tanto virtualmente como em "3D", não me cruzei com mais ninguém capaz de me despertar a mínima vontade de conhecer melhor. Adiante.

 

Na segunda coluna, constam os nomes de músicos de que ainda gosto, agrupados tanto pelo género musical, como pela cronologia do meu conhecimento. Impressiona-me a quantidade de nomes ausentes, o que vem contrariar aquela noção algo comum de que a música ouvida por volta dos 20 anos marca o nosso gosto para o resto da vida. Ceús! A quantidade de lixo fugaz, produzido por gente com poucos dedos, que eu admirava naquela altura. Se ainda hoje (sim, cada vez vez mais um snob do piorio, já quase sem ouvidos para o pop-rock, já  quase só Antena 2 da RDP, canal Mezzo e pouco mais), aqui vão surgindo musiquetas demasiado fáceis, isso deve-se apenas à minha absurda aversão ao intitular posts e ao facto de na música popular serem mais frequentes nomes de músicas que melhor ilustram as palavras de posts subjacentes.

 

Na terceira coluna, além de vídeos indiciadores do meu gosto visual, constam igualmente nomes de escritores/pensadores listados alfabeticamente. Poderia tê-los agrupado doutra forma, por exemplo, género literário ou cronologia das minhas leituras. Mas, se ordenados por afinidades afectivas, teria de colocar no topo Boris Vian, Kurt Vonnegut ou Carl Sagan; se por afinidades electivas, talvez Shakespeare e Camões, Steiner e Bloom, António Franco Alexandre, também.

 

Contudo, se recordar que no último ano o poeta que melhor preencheu as minhas leituras foi um canadiano, ainda com uma obra relativamente curta, chamado Kevin Davies, e que os meus olhos já não conseguem ler muito do que literariamente apreciava há meia dúzia de anos, e ainda menos há um par de décadas, seguir o alfabeto pareceu a solução mais razoável.

 

Da mesma lista constam também quatro "sobretudo músicos" : José Afonso, Bob Dylan, Morrissey e Leonard Cohen. Picuice minha. À excepção do primeiro, musical e literariamente equilibrado, os outros três, creio bem, escrevem melhor do que cantam.

 

Na quarta coluna, a final, onde, recentemente acrescentei mais alguns aos meus pontos de fuga virtual. Poucos se mantêm desde o início deste blog, há quase três anos. Poucos existiriam quando me deixei cativar, há dez anos, por esta lide meio insana. Das quatro colunas, suponho ser esta a mais transitória, o que é natural por ser a mais virtual. Num meio onde quase todos nascem e morrem num piscar de olhos, duas efemérides no Fevereiro último:

 

The Dish , de Andrew Sullivan (co-assinado por mais um par dos seus compinchas), um dos nomes justamente mais célebres da blogosfera em inglês, anunciou o fim da sua actividade enquanto blogger. Foi-o, quase sempre brilhante, durante treze anos. Num dos vários posts de despedida, escreveu entre o mais:

 

I think blogging will have a big revival in the near future. I think the more successful sites will be those with smaller scale and more identity and a stronger connection with readers. I think the individual voice is still the most powerful on the web. And I agree with Nick Denton that blogging is “the only truly new media in the age of the web … Blogging is the essential act of journalism in an interactive and conversational age.” I totally understand what many sites are doing on the social media-sponsored content-Twitter-fueled front. It makes sense on many levels. But my money remains on blogging, even as I’m quitting it.

 

Ainda crente de que um blog (sobretudo nesta plataforma do Sapo, creio bem, a  a mais flexível, a mais moldável e melhor apoiada pela “gerência” das quatro que já experimentei), permite ainda uma maior liberdade de expressão estética e, no seu conteúdo, potencialmente mais substante, encontrei neste parágrafo do Sr. Sullivan, passe a bárbara expressão, too much wishful thinking, talvez compreensível em quem abandona um amor ao fim de treze anos, vivido de forma decerto mais intensa daquela, que nos meus dez anos de bloguice meio receosa do Outro, fui encontrando do outro lado do meu próprio blog.

 

Nem de propósito, uma blasfémia privada: acabei de adicionar à minha lista de links um único twitter, o de John Lurie. No cinema? Produtor, realizador e actor, mas, sobretudo no sentido mais literal do termo, uma criatura única enquanto músico e, após o injusto castigo de uma doença debilitante, um pintor excepcional.

 

Suponho que esta minha impressão não me seja exactamente exclusiva. Ao fim de um par de dezenas de tweets, seja de quem for, também em mim sobrevive (para não dizer “cansaço”, ora, foda-se!, tão omnipresente), a mesma sensação de vácuo, em que muitos esbarramos num qualquer zapping televisívo ou internáutico .

 

Lurie, John, este herói sem aspas da minha juventude, mesmo num esgoto limitado por 140 caracteres, algures entre o humor discorrente e a sua arte, num presente cada vez mais absurdo, transmitindo vai alguma beleza (im)possível.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter