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Pedaços do melhor vento que tenho recebido

por JQ, em 01.09.16

Sete pedaços de vento - Cristina Branco (o vestido dela deixa muito a desejar... a sério,  julgo-o um disparate anacrónico... quanto à sua voz e música, bolas, talvez não haja muita gente a cantar, em Português, assim tão cristalino, pois não?)

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De P. a 01.09.2016 às 23:18

Como é que perante tal voz é possível ver o vestido, ó homem de Deus?... Todo o fundo é preto, todos estão vestidos de negro e ela mostra apenas umas nesgas de pele para o público se focar apenas na música, não é?...
Concedo que o vestido é anacrónico ao copiar modelos que as mulheres do tempo de Camilo usariam mas se os versos que ela canta são românticos com nesgas de modernidade como a obra literária do mesmo Camilo, que mais poderia vestir?... :)
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De JQ a 02.09.2016 às 06:45

Receio que tenha sido pura maldade minha (completamente desnecessária) contrapor a transparência da voz, da letra e da música (uma canção fantástica) à opacidade do vestido. Por um lado, ainda bem que a cantora não se veste/despe como as "divas" da pop actual. Por outro, dá vontade de rasgá-lo e admirar o que esconde. Um montão de dois pontos seguidos de parêntesis para o seu comentário
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De JQ a 02.09.2016 às 12:25

Ei, boa gente, não nasci ontem, sei bem que por vezes não é imediato... o voz dela, claro, surge antes de qualquer isso, as guitarras depois..., caramba, mas o pianista situa-se bem próximo do genial. Em termos de pop, imagino fácil reproduzir num teclado as notas de qualquer voz. Este pianista, repare-se, coincidiu e divergiu de modo tão gentil da voz... bom, num momento assim, algo estranho, foi o que mais me importou dizer.
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De P. a 02.09.2016 às 20:27

Ah, homem do Diabo capaz de fazer a tese, a antítese e a síntese. Folgo muito sabê-lo ainda possuidor das funções vitais, sendo a maior a capacidade de se surpreender.
E reparei no pianista gentil (como não?). Nos seus dedos longos e esguios a mexer sobre o piano como se tocar como ele o faz fosse tão fácil como dar uma massagem à alma. A facilidade do toque dele lembra-me os dedos indicador e médio de Cesariny, a fumar languidamente, a sua imagem de marca.
E já que o Cesariny também tocava piano, deixo o que ele melhor do que eu diz:


O prestigitador organiza um espetáculo


Há um piano carregado de músicas e um banco
há uma voz baixa, agradável, ao telefone
há retalhos de um roxo muito vivo, bocados de fitas de todas as cores
há pedaços de neve de cristas agudas semelhantes às das cristas de água, no mar
há uma cabeça de mulher coroada com o ouro torrencial da sua magnífica beleza
há o céu muito escuro
há os dois lutadores morenos e impacientes
há novos poetas sábios químicos físicos tirando os guardanapos do pão branco do espaço
há a armada que dança para o imperador detido de pés e mãos no seu palácio
há a minha alegria incomensurável
há o tufão que além disso matou treze pessoas em Kiu-Siu
há funcionários de rosto severo e a fazer perguntas em francês
há a morte dos outros ó minha vida


há um sol esplendente nas coisas 
 
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De JQ a 06.09.2016 às 14:53

Certo é que um sol (nada opressivo como o dos últimos dias neste Sahara alfacinha) também esplende/explode nos seus comentários. Sempre grato.

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Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


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