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por JQ, em 20.07.14

 

Oh, que desgraça

mais versos sobre o início do mundo

(lamento?, é só o meu…)

Semana bem estranha

esta, do lado de fora

e aqui por dentro, também

O contínuo afastamento

de todas as órbitas demasiado percorridas

retido

Neste universo coberto de látex

(repito-o para ver se se rasga

Se dele nasce algo de novo)

claro que não, a sombra de um talvez apenas, mas

Nenhum dito, escrito, desenhado, pintado ou fotografado por mim

(agora me soa verdade...)

Foi mais gentil comigo do que eu

Traduziu Sagan num solarengo dia

«Estar siderado» significava no étimo

«sentir-se influenciado pelas estrelas»

Não faço a menor ideia disso

(a sério que não)

Quanto mais me aproximo do túnel

em cujo final

renascidos (?!)

Juram ter avistado uma luz branca

(redentora?!)

Enquanto o breu mais se abruma

Neste planeta

onde Sagan, tantos outros e agora um desgraçado Tyson

No seu discurso demasiado simplista

(para adolescentes retardados?!)

Entre a necessária colisão das partículas do mundo

para que

Entre o caos aparente e inevitáveis ruínas

presentes na natureza animal, humana e planetária

Surgindo fosse algo de novo

(uma réstea de beleza, subjacente a quase toda a criação?)

Mesmo que da derrota vizinho

empático hipócrita, diante da melhor

(parteno?)génese donde surgimos

O vislumbre apenas

de vodus idiotas para modernos aztecas

para Mayas, caramba!

E tantos outros “gurus dos actuais

Karambas”, de absolutos disparates

Diariamente debitados

 durante o televisivo mambo-jambo

Não me considero

(tento não me desconsiderar)

 

Organizo eventos apenas meus

alheios de sortes mais públicas

Espaços, no seu mínimo, viznhos

entre exterior e interior

(azar o meu, decerto)

Ao lado, em cima como em baixo

Pouco mais do que absoluto breu

O sonho de ser astronauta? Sim, sendo fui

(banal com demasiada frequência)

Pura condescendência, o mais das vezes

(abandonei-o, ao sonho, bem cedo

Quando, algo tardias, me surgiram penugens na púbis

na face e na consciência de mim)

 

Subindo por essa escadaria –

(genética, etária… a do sucesso pessoal, não é?) –

Ficando se vai cada vez menos capaz de emitir surpresas

ou de reconhecer novidades.

Daí que

(isto não passa de posologia para mais ninguém senão eu)

Antes persistir, sempre de passagem

nesta cruz, comum com gente de carne e osso

Ainda com vísceras, se possíveis

Aí já cheguei, suponho

 

No máximo de tempo livre possível

preso ao tempo conseguindo fui muito pouco

Escalar nunca foi vocação

acima das nuvens, talvez

acima da estratosfera, suponho

É certa para mim

a existência de um breu medonho.

 

Ao contrário do que se pensa

não é pela lonjura

nem pelas limitações tecnológicas que

O espaço sideral é pouco frequentado

antes por lá haver muito pouco que valha a pena

 

Bués de matéria negra e pouco mais

Satélites, um exagero de satélites cuscos, e calhaus

Demasiados calhaus convencidos de que

Oh de que

Todos podemos ser astros

 

Sabem que mais?

(dissequem formigas, questionem neutrões e pouco encontrarão)

Pouco somos

pouco sempre mais fomos

pouco mais seremos?

talvez ainda menos do que

Heróis, quase nunca

prévios à heroína

quase não mais

do que apenas

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


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Outros nomes:


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