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Presunçoso desabafo transcrito do meu livro de caretas

por JQ, em 12.02.17

"Em que estou a pensar?”, outra vez?! A sério, funesto algoritmo, rende-te à televisiva moda e pergunta-me antes o que vou cozinhar daqui a pouco. Enfim, já que tanto insistes: pensando vou que quase toda a “arte moderna”, sobretudo quase todo o Abstraccionismo desde finais do séc. XIX, repousaria melhor em t-shirts ou em papel de parede. Francamente, na parte que toca o meu olhar, quase nunca em museus.

 
Trocando murros e afagos, pontapés e carícias entre si, como naquele brutal desporto conhecido por "Full Contact", o Tempo e a Arte já coexistem há milénios. Durante séculos foi valendo o talento dos dedos e das ideias. Há mais de um século, com o advento das indústrias de massas, sobreveio um natural cansaço e o saudável impulso, quase “punk”, de renegar o passado e, quase "hippie", de reinventar o futuro.
 
Então, tudo bem, repisar o já conhecido decerto soava exaustivo, mas para quê continuar a sobrevalorizar, ainda hoje, a falta de dedos e talento e ideias fora de prazo? Bolas, todos os actuais becos sem saída, todo este vácuo pós-moderno, que percorre artes, ideias e desesperos contemporâneos provêm desse ideal bem-intencionado, mas mal-sucedido. Bom, sinto-me demasiado ínfimo para combater o comércio actual. Daí que tente escapar entre os pingos das modas, que apenas valem pela circunstância em que surgem.
 
O Tempo, esse cruel filho sem mãe (repare-se: do pai, Cronos, dizia-se, chiça, que mantinha o costume gastronómico de devorar os seus filhos), que vai sempre durar mais do que qualquer um de nós e nada mais animal/humano do que tentar sobreviver-lhe, num esforço criativo dirigido para um Sempre impossível de alcançar. Em termos de Arte e Conhecimento, nada mais parece restar senão continuar a estudar passados e presentes, ir experimentando saídas possíveis. De outro modo, todos os futuros continuarão meras sombras do passado. Bolas, por mais do que isto possa soar demasiado presunçoso, nisto ainda acredito.

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De Anónimo a 12.02.2017 às 17:14

As modas são bocados de passado remendados com pedaços de futuro, como restaurar um painel de azulejos pombalinos com azulejo industrial para moradias provincianas. Por isso, a experiência não perdura e vale para se perceber que não resulta a não ser pelo lado do comércio temporário.
De qualquer forma, acredito que qualquer Arte e Conhecimento resultam de muito trabalho de campo para que da experiência acumulada se sintetize uma nova ideia que permita construir um bocadinho de futuro. Pode ser uma salada de rúcula selvagem com sobras de cozido à portuguesa ou um painel de azulejos pintado com tintas de spray e depois cozido pela forma tradicional, creio que o que interessa é activar os neurónios nas experiências diversas que nos permitem criar algo novo, tal como as viagens nos fazem ter mais mundo e não aceitar o que é porque assim foi e assim tem de ser. :)
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De JQ a 14.02.2017 às 10:21

"uma salada de rúcula selvagem com sobras de cozido à portuguesa ou um painel de azulejos pintado com tintas de spray" ? Bravo!  :)

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caracteres alguns

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