Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Reflexões ociosas

por JQ, em 10.04.16

Prisons are built with stones of law; brothels with bricks of religion”, escreveu William Blake por volta de 1790, onde, próximo do gnosticismo, é manifesta a sua desconfiança do Vaticano e da Igreja Anglicana do seu tempo. Especulando um pouco, porque me apetece e por ser Domingo, creio já terem decorrido séculos suficientes para trocar as voltas ao conceito, estendendo-o ao interior de cada um. Sempre ignaro de alguma noção do Todo posso estar, mas pressinto, suspeito d'algo, maior do que a triste insignificância do meu ser.

 

Diria antes: “Laws are built within prison stones; religion within bricks of brothels”, pois só alguém vítima de uma prisão física ou mental se daria ao trabalho de derrubar ou erigir leis, tal como na ausência da noção de culpa ou pecado talvez ninguém se lembrasse de criar ou aderir a religiões organizadas. Bom, mesmo não aceitando essa visão como definitiva, tudo isso é compreensível. Nem sequer é preciso buscar no youtube por “monkey thieves”.

 

Eu, tu, o vizinho do lado, uma boa parte dos que podem cometer crimes/ilegalidades/imoralidades vão cometê-los. Talvez seja "uma coisa apenas macaca”. Alguém recorda docs do género?: ¨Quando um macaco pode roubar, rouba”. Tentando esquecer alguns milhares de fdp’s usufrutuários de offshores, dos sete biliões de macacos actualmente orgulhosos da sua “superioridade” poucos vivem num paraíso terrestre. Tão básico quanto isto: quem puder fugir aos impostos, foge.

 

O que acima subjaz não chega a ser exactamente humano nem forçosamente divino. Trata-se apenas de Física: um movimento em determinado sentido provoca necessariamente um movimento no sentido oposto. Assim como nos rios existem correntes e revessas, na electricidade pólos negativos e positivos, neste universo matéria e anti-matéria e dentro de cada um impulsos contrários. Talvez só assim “as coisas” deste mundo se aguentem de pé, suspeito.

 

Não é preciso escavar muito na História para concluir que as sociedades que tentam ser “unívocas”, eliminando ideias antagónicas, costumam perecer vítimas da estagnação, e se gramaticalmente uma frase funciona bem mal com demasiadas adversativas, uma ideia sem o seu reverso pode falecer incompleta. Desta, desejo eu, talvez sobreviva a seguinte:

 

Aceitar que o mundo, as sociedades e os indivíduos são como são, funcionam assim e sempre vão funcionar, apesar de perfeitamente racional e talvez absolutamente certa, pode tornar-se ineficaz. Alguma ilusão (ora bolas, cambada de idiotas fundamentalistas, nunca a rama mais literal, apenas o sumo da gnose cristã…) é precisa.

 

Mesmo que muito disso, antes e após desses disparates, a que só acrescentámos a pior noção do nosso caos mais íntrinseco, pouco de útil resulte dos instintos predatórios de alguns ocidentais, nados e criados numa ontologia judaico-cristã, basta reparar na miséria e desigualdades materiais absurdas, sobretudo em África e na Ásia, algo delas sobreviventes em sociedades mais contemplativas. Seja, ou já nem isso. De volta ao pântano incluso em “The Marriage of Heaven and Hell”, de William Blake, mais um par de verdades...:

 

Opposition is true Friendship […] The man who never alters his opinion is like standing water and breeds reptiles of the mind

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter