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Uma espécie de prenda [fundamental, creio, para estudantes de Letras e Humanidades (o que raio é isso hoje?:), para quem ainda aprecia versos, imagens não gratuitas e afins… bom, para quem quiser entender um pouco melhor as gramáticas da criação]

por JQ, em 22.12.15

O meu trabalho actual obriga-me a conhecer alguns códices ou parte deles. Alguma certeza? A sua linguagem é quase sempre péssima. Suspeito ter sido escrita por gente que nunca vai conseguir saldar as suas dívidas, quer à prosa mais essencial, ainda menos à poesia mais banal, quer à mínima compreensão pública. Nem imaginam como “o meu rabo” tem conseguido “fugir à seringa” mais asséptica de preceitos escritos em função da necessidade de “tradutores” quase sempre bem pagos: um mínimo de bom-senso, ainda alguém se lembra dessa noção tão simples?

 

Há uma década que desisti de comprar códigos. Não adianta. De 4 em 4 anos, tem-se-me afigurado, vai sempre surgir um/a totó qualquer que vai tentar ficar na história (?!), através da produção de mais lixo legislativo (puro ruído, convenha-se), que, longe da clareza, só vai induzir a criação de mais becos sem saída, apenas úteis para quem, nesse labirinto, ainda souber descobrir “portas do cavalo”, sempre, e desnecessariamente, muito bem remuneradas.

 

Lamento a simplificação anterior. Nem todos os conhecedores do Direito, ou parte dele, funcionam assim. Faço o que posso. Nada de mais. Gente mais experiente no "meu" ramo  foi-me dizendo: "um mau acordo é quase sempre melhor que uma sentença só aparentemente justa". O meu tempo têm-lhes dado alguma razão. Com uma quase insana paciência, tenho conseguido uma percentagem de acordos absolutamente impensável neste meu trabalho. Vou esquecendo códices, desenhados por gente ainda mais distante do presente do que eu próprio, sempre lembrando que, na génese de qualquer lei, sempre esteve algum bom-senso. Sim, apenas algum bom-senso. Sim, tenho suado, entre estopinhas morais e políticas pessoais, enquanto apelo à mínima inteligência, ao mínimo território comum, entre partes divergentes.

 

Pela minha contabilidade paradoxal (em que sempre acreditei que alguma conflitualidade social poderia beneficiar todas as classes), tenho tido um ratio de “sucesso”, algures entre os 70 e os 80% do possível. A sério. Por vezes, no final de dias difíceis, intervenientes acidentais acabam por dizer-me: “Não sei como teve tanta paciência, volte para beber um chá, um café, o que quiser”. Nunca chego a responder, senão com um sorriso amargo, que traduzido, apenas diz: “Não sabe? A sério que nem sequer adivinha? Eu não sou, nunca quis ser polícia de ninguém, mas tente portar-se melhor, o minimamente possível, para que eu nunca tenha de voltar a incomodá-lo.” Oito, ou quase, em dez vezes, entendem-me. Isso é bom, para mim, pelo menos.

 

A sério, apenas quero que "o meu mundo" decorra sem conflitos de maior. Por mim dentro? Oh tantos! Quem me dera ter um pouco mais de paciência com amigos, colegas e familiares. Há dias, felizmente raros, que não consigo. Deformação profissional? Claro! Gosto demasiado deles? Obviamente! Certo? O afecto torna a objectividade bem mais difícil, lamento. Mas, sem alguma subjectividade, não por demais obscena, o que sobrará de um mínimo, ainda possível “eu”, dentro e fora de cada um?

 

Esqueçam o tom, por demais “dramático”, do desabafo supra. Mais importante? Gostava, a sério que gostava, que alguém tentasse entender algumas linhas desta espécie de prenda natalícia:

Saturn and Melancholy: Studies in the History of Natural Philosophy, Religion, and Art” (Raymond Klibansky, Erwin Panofsky, Fritz Saxl – 1964)

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter