Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



por JQ, em 19.07.14

 

Na-Arean estava só no espaço

Como uma nuvem que flutua no nada

Não dormia pois não existia o sono

Não sentia fome porque ainda não havia fome

Assim permaneceu durante longo tempo

Até lhe ocorrer um pensamento

Disse para si próprio

Vou fazer uma coisa

 

 

Lenda da ilha Maiana (arquipélago Kiribati, Oceano Pacífico),

que pretendia descrever a criação do Mundo

(numa epígrafe de Cosmos, Carl Sagan, 1980)

 

 

---º---

 

 

Após Anu ter criado o Céu

E o Céu ter criado a Terra

E a Terra ter criado os rios

E os rios terem criado os canais

E os canais terem criado o pântano

E o pântano ter criado o verme,

O verme apresentou-se a Shamash

Chorando lágrimas caídas diante Ea:

“O que me darás para comer e beber?”

“Dar-te-ei o figo seco e o damasco”

“E o que farei eu com o figo seco e o damasco?”

“Ergue-me e entre dentes e gengivas deixa-me habitar”

“Porque disseste isso, ó verme?

Que Ea te destrua com a força da sua mão!”

 

 

Fórmula mágica contra o verme que os Assírios, c. 1000 a.C.,

julgavam causar a dor de dentes (in Cosmos, Carl Sagan, 1980)

 

 

---º---

 

  

Há uma coisa de forma confusa, nascida antes do Céu e da Terra

Silenciosa e vazia, está só e nunca muda

Gira e não se cansa - talvez seja a Mãe do Mundo

Ao certo, não sei qual o seu nome

Por isso, chamo-lhe O Caminho - a título provisório, O Grande

Sendo grande, pode dizer-se que está a recuar

Recuando, pode dizer-se que é longínquo

Sendo longínquo, pode dizer-se que está a regressar

 

 

excerto de Tao Te Ching, Lao-Tzu, c. 600 a.C.

(numa epígrafe de Cosmos, Carl Sagan, 1980)

 

 

---º---

 

 

Um viajante ocidental encontra um filósofo oriental e pede-lhe que descreva a natureza do mundo:

- É uma grande bola descansando na casca da tartaruga do mundo.

- Mas onde se apoia a tartaruga do mundo?

- Nas costas de uma tartaruga ainda maior.

- E essa, onde se apoia?

- É uma pergunta muito pertinente, mas não vale a pena. Há tartarugas em toda a parte.

 

 

excerto de Broca’s Brain, Carl Sagan, 1979

 

 

---º---

 

 

Kepler publicou, em 1606, um livro chamado “De Stella Nova” (Da Nova Estrela), onde divaga sobre a possibilidade de uma supernova resultar da concatenação fortuita de átomos nos céus. A certa altura, apresenta o que diz ser “não a minha opinião, mas a da minha mulher: ontem, cansado de escrever, fui chamado para jantar uma salada que lhe tinha pedido. Parece, disse eu, que se os pratos de estanho, folhas de alface, grãos de sal, gotas de água, vinagre, azeite e rodelas de ovo andassem a voar pelo ar por toda a eternidade, poderia finalmente acontecer, por acaso, que se transformassem numa salada. Sim, respondeu a minha querida mulher, mas não tão boa como esta que eu fiz.”

 

 

num rodapé de Cosmos, Carl Sagan, 1980

Autoria e outros dados (tags, etc)



Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter