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"Droga de escolha"

por JQ, em 14.09.16

 Christopher Walken em Weapon of Choice - Fatboy Slim (2001)

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Entre mim e Nietzsche

por JQ, em 14.09.16

Forgive me my sadness!

 

Friedrich Nietzsche

(The Dance Song in

“Thus Spoke Zarathrusta”)

 

Simplificando “a ideia”, os gregos antigos tentaram sintetizar os principais impulsos da natureza humana entre apolíneos e dionisíacos, i.e., simplificando ainda mais, razão versus emoção, ordem/beleza versus caos/prazer. Vice-versa ou num mais viçoso verso, claro que não existe ordem sem caos e, apesar de tanto ruído, ainda é possível encontrar prazer na beleza. Adiante.

 

Por volta dos meus 18-20 anitos, deixei-me agarrar por Nietzsche. Intensivamente, li quase tudo dele e, naturalmente, depois cansei-me, não só pela sua valorização demasiado constante da vertente dionisíaca (perto do fim, chegou a assinar algumas cartas como Dionysus!) , que então até comecei a experimentar.

 

Descendo de dois pólos: um absoluto boémio e uma puritana fundamentalista, que apenas coincidiam, talvez vítimas da sua infância salazarista, num pessimismo de que ainda tento fugir. Bom, certo é que, na altura, achei que o caminho de Nietzsche, obviamente destinado ao isolamento, algo semelhante ao meu durante a adolescência, não era o mais saudável. Queria fazer amigos, namorar, cultivar o corpo, enfim, comunicar. Então, não queria terminar os meus dias sifilítico, meio doido, completamente isolado, apenas na companhia de lamentos do mundo. Até ofereci os seus livros a alguns amigos e conhecidos que, então, pareciam precisar de ultrapassar a sua aparentemente frágil auto-estima...

 

Hoje, ainda não quero terminar os meus dias sifilítico (salvo disso seja : ), meio doido, completamente isolado, apenas na companhia de lamentos do mundo, mas tenho quase a certeza de que desperdicei demasiados anos a ouvir quem quase só debitava banalidades. Hoje, sinto-me cada vez mais apolíneo. Estou farto de caos e coisas feias. Preciso de mais beleza em redor. Hoje, vai crescendo em mim a noção de que a minha progenitora, puritana fundamentalista, foi e é mais positiva e, apesar da minha iconoclastia militante, transmitiu-me mais « sinais + » do que o absoluto boémio. Adiante. Isso é problema meu e não vem agora ao caso.

 

De regresso à “dança”, suspeito que Nietzsche, em termos de relacionamentos pessoais, deve ter sido um chato do caraças (aparte desnecessário: algumas das pessoas mais interessantes que conheci eram, discursivamente, uns chatos do caraças). Chegou a escrever várias elegias a tal atitude diante da vida. Na origem, suspeito-as dirigidas a si próprio (ou ao que ele desejava ter sido) e, após publicadas, à ordem burguesa que o sufocava, talvez aos românticos herdeiros do Stürm und Drang. Aqui vão algumas, a maior parte de “Assim Falava Zaratrusta”, uma ou outra de “A Gaia Ciência” (pardon my French e também alguma preguiça, o Inglês que se segue, suponho, é demasiado simples para necessitar de tradução):

 

We should consider every day lost on which we have not danced at least once. And we should call every truth false which was not accompanied by at least one laugh.

*

Be like the wind when it rushes forth from its mountain-caves: to its own piping will it dance; the seas tremble and leap under its footsteps. That which gives wings to asses, that which milks the lionesses: Praised be that good, unruly spirit, which comes like a hurricane… Praised be this spirit of all free spirits, the laughing storm, which blows dust into the eyes of all the dark-sighted and melancholic! You higher men, the worst thing in you is that you have, none of you, learned to dance as you ought to dance — to dance beyond yourselves! What does it matter that you have failed? How many things are still possible! So learn to laugh beyond yourselves! Lift up your hearts, you good dancers, high, higher! And do not forget good laughter!

*

If they want me to believe in their God, they’ll have to sing me better songs… I would believe only in a God who could dance. And when I saw my devil I found him serious, thorough, profound, and solemn: it was the spirit of gravity - through him all things fall.

*

Only in the dance do I know how to tell the parable of the highest things.

*

And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music.

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Portar-me mal? Oh, quem me dera! (não consigo, a sério, não passo de um totó:(

por JQ, em 12.09.16

 Let's Misbehave, um original do genial Cole Porter (aqui em "Pennies From Heaven" - dir. Herbert Ross, 1981 - com Christopher Walken, um dos actores da minha maior estimação)

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Ler ou "desler" - amar? - comprar ou roubar?

por JQ, em 12.09.16

Há poucas horas, uma amiga deveras digna da minha melhor estima e admiração (muito provavelmente, o ser humano mais decente que encontrei em Lisboa...) caiu na asneira de me dizer que há dias leu de seguida vários anos (!) de posts deste berloque (hein?!, p.f., não faças mais isso:) e, no tom geral, achou algo entre o triste e o deprimente. Previsivelmente, recebeu de troco as minhas sobrancelhas em forma de “?!”, pois desentendi tal opinião. Nesse momento, recordei este comentário recebido há largos anos, já muito após ter encerrado o meu 2º blog:

 

deprimente.png

  

Bom, é impossível controlar o modo como os outros nos lêem (mau seria, tal coisa costuma acabar em auto-condescendência e males piores ainda), mas como raio alguém encontra tristeza na minha quase única alegria?, se sempre me condeno, quando, por vezes, tento aflorar uma piadola desprovida de Graça?, se até quando me sirvo de “ sinais – “, no raro momento em que o resultado me satisfaz só me falta com quem pinchar de alegria?, se literária e socialmente evito arautos da choraminguice?

 

Mau, só diante de repetidas provas em contrário, costumo pensar o pior seja de quem for. Não quero saber dos pecados nem da vida privada de ninguém. Arrepio-me quando alguém comigo partilha intimidades. Considero isto um dos meus piores defeitos: acho que me embutiram algures um chip qualquer que me impede de roubar seja o que for. O único objecto que recordo ter roubado foi uma pistola preta de plástico de um quiosque, por volta dos 7 anos. Nesse mesmo dia, aconteceram-me vários azares. Ainda não tinha lido Freud, mas pressenti que era a própria noção de culpa que me castigava. No dia seguinte, devolvi a pistola e nunca mais roubei nada a absolutamente ninguém. Não me considero um santo - tanto mais precisava para tão pouco . A minha verdade é que socialmente não passo de um chato do caraças. A sério que me considero digno do maior desinteresse colectivo. Daí que admire alguma marginalidade. Por exemplo:

 

Bukowski-Lamarr.png

 

Recordo uma vez ter entrado numa pequena livraria, mais uma infelizmente encerrada há vários anos, ali nos baixios do Príncipe Real, em Lisboa. Estando o proprietário ausente, a substituta residente (uma cantora bastante de uma banda medíocre), já depois de eu ter pago a meia dúzia de livrecos escolhidos, não parava de olhar para um envelope onde os tinha acondicionado. Não acredito em telepatias, mas quase sempre soube ler olhares, gestos e palavras. Foi para mim óbvio que a bonitíssima cantora desconfiava de que eu me preparava para levar mais do que teria pago. Por dentro, fiquei absolutamente fulo. Aparte folclórico? Ainda hoje carrego uma funda cicatriz na mão direita. Como e porquê? Com cinco anos, recebi umas inócuas palmadas por um pequeno crime doméstico que não tinha cometido; revoltado, corri pela casa fora e, com as mãos, desfiz em pedaços uma noção interna de injustiça e um par de portas de madeira e vidro.

 

Sim, fico podre quando me imaginam capaz de maldades, quando o único crime de que sou capaz reside na distância ou no silêncio. Sim, nunca me apeteceu, mas adorava poder assaltar livrarias sem remorsos. Uma ave rara, pelo que escreveu há uns anos, talvez não sofresse destes meus pruridos morais. Não sempre, mas, por vezes, o amor por pessoas ou, nessa ausência, por livros, talvez acabe por desaguar num excesso qualquer. Por exemplo:

 

Eu roubo livros. O que no início era uma aventura tornou-se um vício. Hoje sou profissional de roubar livros. Entra-se na livraria, começa-se a olhar os livros expostos, controlam-se as pessoas presentes (funcionários, estes especialmente, e clientes), escolhe-se um livro ou vários livros e sai-se da loja. É necessário passar o mais despercebido possível. Controlar os funcionários, mas pelo canto do olho. Mas eu estou de tal forma associado com o Mal que olho-os bem nos olhos e não me vêem. Sou invisível. Há duas livrarias (que são só uma) em Lisboa que são uma autêntica maravilha para o furto de livros. Entra-se, ninguém me vê, pego no(s) livro(s) e saio. Tudo numa questão de segundos e profissionalmente. Um espectáculo.

 

O furto de livros tornou-se-me uma doença. Eu gosto muito de livros, mais do que ler, apesar de ler bastante, todos os dias, e mais de um livro. Sempre fui viciado em colecções. Agora meti-me numa sem fim: a de ter todos os livros do mundo. Há épocas em que roubo livros todos os dias, e já cheguei a roubar, num dia, em três sítios diferentes. Há que se ser profissional... Já roubei uma vez numa loja com aqueles sistemas electrónicos à entrada que apitam quando algo não desmagnetizado passa por eles. Foi no Fórum de Almada, na Livraria Bertrand, em que consegui roubar um livro que pesa uns bons quilos: o «Dom Quixote», de Miguel de Cervantes, da editora Dom Quixote (a edição do ano passado que saiu em comemoração dos 500 anos da edição da 1ª parte da imensa obra do manchebo), com tradução de Miguel Serras Pereira. Andei às voltas pelo centro comercial. Fui duas vezes à casa de banho, até que me decidi arriscar. Entrei na loja, o livro estava logo na bancada da entrada, peguei nele e disparei. Sai e não tocou alarme algum. Eu devo ter posto os braços de tal forma que anularam o toque de alarme. É que trazia o livro entre as duas mãos (já disse que é enorme o bloco), como se trouxesse um bebé nas mãos. Assim com as mãos estendidas, mas com o livro entre os braços. Os braços anularam o efeito electrónico. Ou então, por ser precisamente electrónico, o alarme não estava a funcionar na altura. Deve ser mais esta a causa. A alarme falhou. E eu passei e fui apanhar o autocarro. Foi o meu maior furto. O magnífico. Um livro que custava 10 contos.

 

Nas Feiras do Livro de Lisboa roubo dezenas e dezenas de livros de cada vez que lá vou. Aí é escolher o que me agrada na bancada em causa (estão todas em causa) , dar uma olhadela nos feirantes e pegar no livro e metê-lo no saco. E é ir enchendo o saco... Todos os anos roubo 60-70 livros. É fácil. Há dois anos fiz uma razia no «stand» da Relógio d'Água e foi um fartote. Roubei tudo. Durante dias seguidos, o que ainda é mais amazing. Levo sempre três sacos da Caminho, daqueles azuis, e são extremamente pesados quando cheios. Quando está concluída a função, e é época sempre de calor, é suar que não é brincadeira. Ossos do ofício. Dá-me imenso prazer roubar os livros, é verdade, e chegar a casa e ver de o que o lote se compõe. É certo que o meu crítério é elevado e são livros que já conheço os que eu roubo, mas há sempre algumas «novidades». Ler os prefácios e introduções: uma maravilha.

 

Isto de roubar livros é da ordem da anormalidadde, apesar de sempre terem existido grandes ladrões de livros. De bibliotecas (que eram onde eles se encontavam, claro), sobretudo. Não é normal praticar o furto só para consumo próprio, sem que haja o fito do lucro. Eu não roubo para os vender depois. São para a minha biblioteca pessoal. As pessoas ficam espantadíssimas de me verem a roubar. É claro que já fui apanhado, e até levado à entrada de uma esquadra de polícia, da PSP. Quando sou apanhado, devolvo de imediato os livros e fico cheio de mal-estar no meu corpo. Já levei no tronco pesados estalos de um energúmeno que me apanhou e tratou de me tratar como se de um reles ladrãozeco se tratasse. O filho da puta tem agora a loja fechada. Faliu. Quem tem a alma associada com o Diabo só pode esperar tal de tão garboso aliado. Roubo para mim. Para meu desfrute, por que gosto muito de ler, e não tenho dinheiro para comprar todos os livros que cobiço. É muito simples. Mais complicado é protagonizar os actos de furto, claro. Por isso aconselho a quem queira entrar no universo do roubo de livros que o não faça, pois é perigoso e tem pouquísima recompensa, a não ser que seja tão louco por livros quanto eu.

 

Sempre roubei. Livros de banda-desenhada. Cassetes de audio. Pilhas Duracell. Essencialmente, livros de BD. Comprava um, e levava outros dois. Compensava. Aí metia-os entre os cadernos escolares. É preciso tem grande lata e sangue-fio para se roubar como se respira o ar. É assim comigo. É necessário controlar quem controla a loja. Essencial. Agora como tudo é magnetizado estamos mais fodidos. Numa livraria, a rapariga que me atendia virou costas e eu metia debaixo do sovaco esquerdo o livro «Gulag», do ano passado. Ou seja, um grosso volume. Era como se trouxesse comigo tal objecto. Ela ainda olhou desconfiada para o livro, mas não passou disso. É necessário grande desplante, que é o que eu mais tenho. E pouca consideração por nós próprios, claro, pois só rouba quem tem a auto-estima muito embaixo. Sou doente. Só não digo agora de quê.

 

Tenho centenas de livros roubados em casa. E assiná-los, com um «palmado». Em todos os livros faço uma espécie de ficha técnica: diga a data da compra ou do roubo, o valor, se é palmado, quanto seria se não fosse roubado, a livraria ou feira do livro, e a rua ou cidade. Assim sei sempre quando entrou para a minha biblioteca. Ter uma biblioteca pejada de livros roubados nãp me pesa minimamente na consciência: quando se ama algo não se olha a meios para atinguir os fins. É como o dinheiro: não tem cor. Nõo entram aqui valores, nem éticas (e o ladrão tem uma ética muito sua) nem questóes de conscìência: há que obter certo livro para poder ter a possiblidade de aceder a ele quando me aprover. É só isso. Deseja-se ler o livro, não interessa como se conseguiu o livro. Eu compro imensos livros nos alfarrabistas: os livros vêm cheios de anotações, e amarelos, e mal-cheirosos, e isso não me aflinge minimamente. Eu sei que tenho o livro e que há a possibilidade de a qualquer momento pegar nele e começar a lê-lo. É só isso. Eu antes de ser um ladrão de livros sou um leitor. Ávido. É essa a minha hierarquia ética.

 

Confesso que roubo muitos livros porque aconteceram coisas na minha vida que me revelaram a verdadeira face do humano, e esta é medonha. Por isso eu que é quero se fodam! Roubo por saber a natureza humana. De que é feita a essência do ser humano, de como é hedionda, abominável, desprezível por natureza, mesquinha, pequeníssima. Roubo por que senti na pele a repelência humana. De como somos ostracizados por sermos diferentes. Proscritos, transformados em animais acossados. A raiva de animais acossados é a que alimenta. Isto foi no início, agora é mera profissionalização.

 

Sobre isto há ainda algo a dizer (há tudo a dizer). É que o Mal faz-nos ser invisíveis. É como eu me sinto quando entro numa loja, pego no livro e saio, e a loja está vazia de clientes, só com os funcionários. É como se não existisse. O Mal faz-nos sermos intangíveis. Estamos cheios de Mal quando entramos numa livraria e nada nos pode atingir. Já me senti assim inúmeras vezes. É como se fossemos meros agentes de forças desconhecidas, não-humanas, puros de malificiência, intocáveis. A união, a osmose, com o Mal é um valor seguro para seres tão desesperados como eu. Há momentos de puro êxtase quando saímos da loja com um livro caríssimo e ninguém no mundo suspeita de tal. É a perfeição.

 

em Da 0rdem do Linchamento, um post sem grande capricho na escrita, "apenas corrido", mas que então, 3.5.2006, como agora relido, me deixou deveras impressionado

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O meu mais exacto "selfie"

por JQ, em 06.09.16

tombstone1.jpg

 

+1 "selfie", premonitório / demasiado condenatório epitáfio construído por volta dos meus 18 anos (agora com a ajuda de www.tombstonebuilder.com) + Cool for Cats - Squeeze, 1979 (ok, convenhamos, a música não presta e é por de mais evidente que o vocalista nunca tentou aprender a cantar... talvez devesse dedicar-se à pop actual ou talvez aos mercados financeiros, sei lá eu:)

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Epígrafe possível para o que por aqui vai surgindo

por JQ, em 06.09.16

[...]

To change the mood a little, I've been posing down the pub

I'm seeing my reflection, I'm looking slightly rough

I fancy this, I fancy that, I wanna be so flash

I give a little muscle, and I spend a little cash

But all I get is bitter and a nasty little rash

And by the time I'm sober, I've forgotten what I've had

And everybody tells me that it's cool to be a cat

[...]

 

Cool for Cats - Squeeze (1979)

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Uma noção possível de "ramadão pessoal" + 4 "selfies"

por JQ, em 06.09.16

Selfie_Vila_do-Conde_Agosto-2016_3.jpg

Selfie_Vila_do-Conde_Agosto-2016_4.jpg

Selfie_Vila_do-Conde_Agosto-2016_5.jpg

Selfie_Vila_do-Conde_Agosto-2016_6.jpg

Vila do Conde - Agosto 2016

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Uma definição sobre os meus "ramadões telecomunicativos" e mais além

por JQ, em 06.09.16

O Ramadão (em árabe: رَمَضَان) é o nono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual ("saum": صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islão. [um dia destes, vou tentar apreender os outros, a sério que vou]

A palavra Ramadão encontra-se relacionada com a palavra árabe ramida, “ser ardente”, possivelmente pelo facto do Islão ter celebrado este jejum pela primeira vez no período mais quente do ano [por aqui foi, oh, se foi]. 
 
O jejum é observado durante todo o mês, do alvorecer ao pôr-do-sol. O jejum aplica-se também ao fumo e às relações sexuais [caramba, tem mesmo que ser?]. O crente deve não só abster-se destas coisas, mas também não pensar nelas [bom, pequei, oh, quanto pequei... :] 

 

(origem demasiado simplificada)

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Pedaços do melhor vento que tenho recebido

por JQ, em 01.09.16

Sete pedaços de vento - Cristina Branco (o vestido dela deixa muito a desejar... a sério,  julgo-o um disparate anacrónico... quanto à sua voz e música, bolas, talvez não haja muita gente a cantar, em Português, assim tão cristalino, pois não?)

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Há sempre um mundo outro

por JQ, em 01.09.16

Perdi mais uma vez o rasto ao meu telelé, agora desde 2ª passada. Acho que se escondeu de mim, em minha casa, e fez muito bem, pois considero-me um péssimo telecomunicador. Que me perdoem familiares e amigos, mas isso não me destrói por aí além. A minha amizade por vós é segura, a melhor parte de vós, espero, por esta altura já deve achar naturais os meus ramadões. Eu não. Costumo ficar e sinto-me de novo podre de mim por há mais de um mês não me surgir uma única frase de jeito. Imagens? A rodos! Pecado: satisfazem-me, mas há sempre outro mundo que não quero perder:

 

There is a world in which ages are not equal, the sexes not undifferentiated, roles not equivalent and civilisations not easily confused with one another.

 

There is a world in which the ignorant are not the equal of the learned, the oral does not have the same ‘voice’ as the written, nor the vulgus as the atomos, nor barbarians as civilised beings.

 

There is another world.

*

There is a world that belongs to the shore of the Lethe.

 

That shore is memory.

 

It is the world of novels and sonatas, the world of the pleasure of naked bodies that love the half-closed blind or the world of the dream that loves it even more closed, to the point where it feigns the darkness of night or contrives it.

 

It is the world of magpies on graves.

 

It is the world of solitude required for reading books or listening to music.

 

The world of tepid silence and idle semi-darkness where thought drifts, then suddenly seethes with excitement.

 

 

Pascal Quignard, "The Roving Shadows" (excerto), trad. Chris Turner - Seagull Books, 2011 (2002 orig.; copy & paste daqui)

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


2017 Janeiro 2016 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2015 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro ; 2014 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2013 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro; 2012 Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho


Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

via Google Chrome)


Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


Agustina Bessa Luís, Anna Akhmatova, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Bob Dylan, Boris Vian, Carl Sagan, Cole Porter, Daniil Kharms, Evgeni Evtuchenko, Fernando Pessoa, George Steiner, Gonçalo M. Tavares, Guy Debord, Hans Magnus Enzensberger, Harold Bloom, Heiner Müller, João MIguel Fernandes Jorge, John Mateer, John McDowell, Jorge de Sena, José Afonso, Jürgen Habermas, Kevin Davies, Kurt Vonnegut Jr., Lêdo Ivo, Leonard Cohen, Luís de Camões, Luís Quintais, Marcel Proust, Marina Tzvietaieva, Mário Cesariny, Noam Chomsky, Ossip Mandelstam, Ray Brassier, Raymond Williams, Roland Barthes, Sá de Miranda, Safo, Sergei Yessinin, Shakespeare, Sofia M. B. Andresen, Ted Benton, Vitorino Nemésio, Vladimir Maiakovski, Wallace Stevens, Walter Benjamin, W.H. Auden, Wislawa Szymborska, Zbigniew Herbert, Zygmunt Bauman


Algum som & imagem:


Avec élégance

Crazy clown time

Danse infernale

Dark waters

Der himmel über berlin

Forever dolphin love

For Nam June Paik

Gridlocks

Happy ending

Lilac Wine

L'heure exquise

LoopLoop

Materials

Megalomania

Metachaos

Nascent

Orphée

Sailing days

Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

Unter