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LOL vs. LMAO (oh, a moderna idade :)

por JQ, em 16.10.15

Tenho sonhado ultimamente com a minha cidadezinha natal, o que é deveras estranho nesta altura. Sempre fui um puto que dormia, e ainda dorme profundamente, sem qualquer memória dos filmes que, durante o sono, dizem que ocorrem na carola de toda a gente. Daí ser quase exótico recordar-me de sonhos.

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Há mais de uma dúzia de anos em Lisboa, há mais de duas dezenas de anos distante desse meu rincão natal, são ainda mais esquivos da certeza alguns cenários quase idênticos ao das minhas primeiras décadas de vida.

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A Ciência actual, muito anglo-saxónica, diz-nos que devemos supor que talvez só existam passados imperfeitos (sempre “past tense”, nunca “presente mais-que-perfeito”). No meu caso, mantenho um só par de razões, sobretudo familiares, para, em função de alguma ansiedade, sonhar negativamente com V.C.

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Mais um filme? Um doc, no presente caso. Na minha cidadezinha natal (excepto entre os mais pobres… exceptuando meia dúzia de crimes arquitectónicos do pós-25 de Abril… o seu primeiro responsável, que eu saiba, mantém um bom tacho numa petrolífera qualquer) foi crescendo uma espécie de oásis urbanístico, um sítio talvez confortável para viver, mercê do bom gosto de um arquitectozinho arrogante, talvez feliz vítima de uma educação neerlandesa, e, claro, de um autarca, daqueles de perduram demasiado em democracias precoces, também feliz vítima de uma noção quase tradicional do que algum urbano conforto poderia valer.

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Nisto, em mim, não resiste qualquer pudor. Precisei viver noutros sítios bem mais feios para pressentir a diferença. Reconheci, uns anos após ter fugido de V.C., o valor desse autarca, no seu bem disfarçado jeito enquanto “ditador esclarecido”. Se só ontem reconheci e hoje reconheço nele algum valor, amanhã só desejarei que a maior parte dos meus contemporâneos não precise da lucidez de alguns ditadores aparentemente “democráticos”.

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A sério, é forçoso que cada um pense por si só, sem o ruído de intermediários.

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Não nasci ontem. Desde que me lembro de mim, sempre tive uma horrível facilidade em interpretar textos e discursos, mesmo quando não literários. Nunca tive dinheiro para comprar os livros que devia. (Bolas, eram, são tantos! Sempre grato ao favor sem preço, durante a minha infância e puberdade, aos furgões, às itinerantes bibliotecas da Fundação Gulbenkian).

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Do outro lado, as bibliotecas universitárias, que, por razões decerto sanitárias, nunca me deixaram fumar durante a leitura. Ei! Nisso tudo bem. A saúde física vale quase sempre a pena. Mas e após…

 *

Ok, bye, bye, leituras obrigatórias. Nem imaginam como driblei testes e frequências universitárias através de fintas de alguma imaginação. De início, a quantidade de “17’s” assustou-me. Eram demasiados. Não passo de um idiota. No meu turismo mais natural, francamente desprovido de qualquer interesse académico, juro que cheguei a perguntar a meia-dúzia de professores e professoras mais queridos/as: “17, outra vez?! Pelo que escrevi, talvez apenas um 14, um 13, talvez!, tenho a certeza de que me faltou tanto por dizer"  

*

Nem imaginam o que ouvi, de alguns profes que ainda tanto admiro, sobre algum exagero nas minhas notas públicas, comparativamente às "notas mais privadas!"

*

Claro que entendo o pragmatismo contemporâneo, enquanto noção útil para a quotidiana vida das gentes. Perdoem-me, se puderem, mas de quase tudo que essa malta, decerto bem intencionada (ok, quase nenhuns :), preferindo vou o que a Ilusão, mesmo escondendo, revelando vai.

 *

(LOL, mais um post do meu umbigo,

por eliminar ou completar nos próximos dias…

sabem que menos, hoje já quase ninguém diz “LOL”,

descobri há pouco a moda actual: “LMAO”

ou seja, “Laughing My Ass Out”…, bom,

evitem pedir-me a tradução de verdades alheias :)

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Alguns riscos


Indícios?, por demais

um tremendo cansaço

de coisas feias, e daí

sons, diversos traços

caracteres alguns

de um rasto só


Algum tempo:


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Junho 2006/Junho 2012

(arquivos não acessíveis

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Algumas pessoas:


T ; José Carvalho da Costa, Francisco Q ; Alcino V, Vitor P ; José Carlos T, Fernando C, Eduardo F ; Paulo V, "Suf", Zé Manel, Miguel D, S, Isabel, Nancy ; Zé T, Marcelo, Faria, Eliana ; Isabel ; Ana C ; Paula, Carlos, Luís, Pedro, Sofia, Pli ; Miguel B ; professores Manuel João, Rogério, Fátima Marinho, Carlos Reis, Isabel Almeida, Paula Morão, Ivo Castro, Rita Veloso, Diana Almeida


Outros que, no exacto antípoda dos anteriores, despertam o pior de mim:


Demasiados. Não cabem aqui. É tudo gente discursivamente feia. Acendendo a TV ou ouvindo quem fora dela reproduz agendas mediáticas, entre o vómito e o tédio a lista tornar-se-ia insuportavelmente longa.


Uma chave, mais um chavão? A cultura popular do início deste séc. XXI fede !


joseqcarvalho@sapo.pt


Alguns nomes:


José Afonso ; 13th Floor Elevators, The Monks, The Sonics, The Doors, Jimi Hendrix, The Stooges, Velvet Underground, Love / Arthur Lee, Pink Floyd (1967-1972), Can, Soft Machine, King Crimson, Roxy Music; Nick Drake, Lou Reed, John Cale, Neil Young, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Frank Zappa ; Lincoln Chase, Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone ; The Clash, Joy Division, The Fall, Echo & The Bunnymen ; Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, The Gun Club, Sonic Youth, Pixies, Radiohead, Tindersticks, Divine Comedy, Cornelius, Portishead, Beirut, Yo La Tengo, The Magnetic Fields, Smog / Bill Callahan, Lambchop, Califone, My Brightest Diamond, Tuneyards ; Arthur Russell, David Sylvian, Brian Eno, Scott Walker, Tom Zé, Nick Cave ; The Lounge Lizards / John Lurie, Blurt / Ted Milton, Bill Evans, Chet Baker, John Coltrane, Jimmy Smith ; Linton Kwesi Johnson, Lee "Scratch" Perry ; Jacques Brel, Tom Waits, Amália Rodrigues ; Nils Frahm, Peter Broderick, Greg Haines, Hauschka ; Franz Schubert, Franz Liszt, Eric Satie, Igor Stravinsky, György Ligeti ; Boris Berezovsky, Gina Bachauer, Ivo Pogorelich, Jascha Heifetz, David Oistrakh, Daniil Trifonov


Outros nomes:


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Danse infernale

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Gridlocks

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Materials

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Nascent

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Soliloquy about...

Solipsist

Sorry, I'm late

Submerged

Surface

Their Lullaby

The raw shark texts

Urban abstract

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